Luís Fabiano, enfim, terá chance na seleção

O técnico Carlos Alberto Parreira se rendeu à ótima fase de Luís Fabiano e já decidiu escalar o jogador do São Paulo no próximo amistoso do Brasil, dia 28, com a Hungria, em Budapeste. O atacante vai começar pela segunda vez uma partida pela seleção - foi assim contra a Nigéria, em junho de 2003, quando chegou a marcar um gol na vitória por 3 a 0. Convocado nesta terça-feira, Luís Fabiano será agora o substituto de Ronaldo, do Real Madrid, que não foi chamado por recomendação do médico da seleção, José Luís Runco. "O Ronaldo sofreu duas contusões seguidas e precisamos tê-lo em boas condições para jogos das Eliminatórias", justificou Parreira.Para o treinador, uma nova oportunidade a Luís Fabiano era apenas uma questão de tempo. "Ele já vem fazendo parte do grupo há mais ou menos um ano. Vai ter uma chance e não terá de provar nada. Não será um jogo para consagrá-lo ou queimá-lo."De acordo com Parreira, a cobrança a Luís Fabiano será, portanto, a mínima possivel. O técnico deixou claro que o atacante não vai ser avaliado por eventuais erros na partida contra a Hungria.Luís Fabiano ficou frustrado por não ter atuado durante parte do jogo com o Paraguai, o último da seleção, que terminou num empate sem gols, com o trio de atacantes, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká, em noite pouco inspirada. Ele chegou a comentar com amigos seu descontentamento com a situação. Antes, Luís Fabiano substituiu Rivaldo no decorrer das duas partidas disputadas em novembro de 2003 pela seleção, válidas pelas Eliminatórias do Mundial de 2006 (1 a 1 com Peru, em Lima, e 3 a 3 com Uruguai, em Curitiba), mas ficou poucos minutos em campo.Para tentar quebrar um tabu, o de vencer a Hungria - em quatro jogos entre as duas seleções, houve três vitórias dos europeus e um empate -, Parreira relacionou atletas que vêm se destacando em seus clubes e que, até então, não vinham tendo oportunidade na seleção. O volante Edu, do Arsenal, é um exemplo. Ele foi convocado pela primeira vez. "Está muito bem no futebol inglês e merecia uma chance", explicou o treinador.O técnico negou que tenha incluído Edu e Dedê, lateral do Borussia Dortmund, porque haveria um risco de os atletas solicitarem dupla nacionalidade para atuarem respectivamente pela seleção da Inglaterra e da Alemanha. "Não foi esse o critério", assegurou. Dedê vai ser o reserva de Roberto Carlos e sua convocação pode representar um adeus à seleção, temporário ou não, ao pentacampeão Júnior, do Siena. O mesmo pode ocorrer com Belletti, na lateral-direita. Ele ficou fora desta vez e, em seu lugar, o técnico optou por Mancini, da Roma. Durante entrevista na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), após anunciar a lista de convocados nesta terça-feira à tarde, o treinador foi categórico ao dizer que só um atleta não constava da lista por motivo de contusão. Referia-se a Ronaldo. Mostrando assim, que os demais jogadores chamados atenderam apenas critérios técnicos.Também chamou a atenção a presença de Bordon, ex-São-Paulo e atualmente fazendo sucesso na Alemanha. O zagueiro do Stuttgart já havia sido convocado quatro vezes, mas nunca participou de um jogo da seleção. "O Bordon é destaque em seu time há vários anos. Estávamos atentos ao desempenho dele", revelou Parreira.Além de ter confirmado a escalação de Luís Fabiano, Parreira adiantou que o zagueiro Edmílson, do Lyon, jogará como volante, num teste para suprir a ausência de Gilberto Silva no jogo com a Argentina, em junho, uma vez que o atleta do Arsenal está suspenso para o próximo compromisso das Eliminatórias. O técnico deu a entender que Juninho Pernambucano será outro titular no meio. Desta forma, o time iniciaria o amistoso contra a Hungria com Dida; Cafu, Lúcio, Roque Júnior e Roberto Carlos; Edmílson, Juninho Pernambucano e Zé Roberto; Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Luís Fabiano.Sob controle - A seqüência de quatro empates da seleção não significou para Parreira um motivo para ficar alerta. Ele disse que a situação da equipe está sob controle. "Basta uma vitória simples contra a Argentina para o Brasil assumir a liderança das Eliminatórias", afirmou. Em seguida, lamentou o único dos empates que considerou decepcionante, o do jogo com o Uruguai., em novembro.Homenagem - O jogo com a Hungria vai servir como homenagem a Zagallo, por ter completado 250 partidas a serviço da seleção - como atleta, coordenador e técnico das equipes principal e olímpica. Ele atingiu a marca no jogo com o Uruguai. A CBF teria adiado a festa para aguardar a confecção de uma camisa especial, oferecida pela Nike, na qual se lê o número 250 nas costas, com o nome Zagallo, e o 13 na frente - número preferido pelo atual coordenador da seleção.Nomes - A lista completa dos convocados para o amistoso com a Hungria: goleiros - Dida (Milan) e Marcos (Palmeiras); laterais - Cafu (Milan), Mancini (Roma), Dedê (Borussia Dortmund) e Roberto Carlos (Real Madrid); zagueiros - Juan (Bayer Leverkusen), Bordon (Stuttgart), Lúcio (Bayer Leverkusen) e Roque Júnior (Siena); volantes - Edmílson (Lyon), Edu (Arsenal), Júlio Baptista (Sevilla), Juninho Pernambucano (Lyon) e Renato (Santos); meias - Alex (Cruzeiro), Felipe (Flamengo) e Zé Roberto (Bayern de Munique); atacantes - Adriano (Inter de Milão), Kaká (Milan), Ronaldinho Gaúcho (Barcelona) e Luís Fabiano (São Paulo).

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