Luís Pereira vira treinador na Espanha

O sonho de quase todos os ex-jogadores de futebol é se transformar em treinador de sucesso na Europa. Poucos conseguiram realizá-lo, como o técnico Luís Felipe Scolari, à frente da seleção portuguesa vice-campeã européia, ou Carlos Alberto Silva, no comando do Porto vencedor da Copa dos Campeões da Europa em 1987. Mas, se depender do empenho e da determinação, o próximo da exígua lista será Luís Pereira, ex-zagueiro da seleção brasileira que brilhou no Palmeiras e no Atlético de Madrid durante os anos 70.Zagueiro clássico, que cometia raras faltas, Luís Pereira no começo da carreira, no São Bento, de Sorocaba, também era conhecido por Luís Chevrolet. Ele tinha duas outras qualidades, a habilidade de meio-campista e o faro de atacante. Depois de encantar a torcida palmeirense, conquistando vários títulos na época da Academia de Futebol, ele foi encher os olhos dos torcedores do Atlético de Madrid, onde conquistou o Campeonato Espanhol por duas vezes e uma Copa do Rei, durante os cinco anos em que defendeu o clube madrilenho (1975-1980).Agora Luís Pereira tenta ensinar um pouco do muito que sabe para a garotada das divisões de base do Atlético e até mesmo para os marmanjos da Segunda Divisão. Mas seu objetivo mesmo é usar o "jeitinho brasileiro" para conseguir o documento oficial que lhe permita exercer a nova profissão na Europa."Por ser estrangeiro, não posso trabalhar aqui como treinador. Eu precisaria validar um diploma, para poder ser técnico. Mas para isso é preciso estudar muito por aqui", explica o ex-jogador. Ele trabalha ao lado de Pepe Murcia, o diretor-técnico oficial do time que disputa a Série B do Espanhol. Luís Pereira viaja com a equipe, acompanha as partidas e participa dos treinamentos. Mas também está atento aos jogos da equipe principal do Atlético.Ele não esconde o orgulho ao confirmar que é reconhecido nas ruas, principalmente pelos torcedores velhos, que contam aos descendentes sobre sua participação na história do clube. Aliás, isto é algo que os espanhóis levam muito em consideração. "Há associações de ex-jogadores. Todos os clubes da Espanha têm este tipo de entidade, a seleção espanhola também. Os do Atlético sempre se reúnem às segundas-feiras."Luís Pereira, que tem 55 anos, está há três anos na função, que ele não determina exatamente qual é e também não diz quanto ganha para exercê-la. "Não é questão de remuneração. Preciso validar o título de treinador. Não é como no Brasil, a pessoa tem de freqüentar universidade. É preciso fazer prática no campo, conversar com juízes, fazer provas, ser sabatinado", conta. "O pessoal do Conselho Superior de Esporte me conhece, isso pode facilitar as coisas", espera.Ele conta que se mudou com a família - a mulher Ana Sílvia, e a filha, Marcela, de 12 anos - para Madri, para poder se dedicar à nova atividade com tranqüilidade.Luís Pereira conta, feliz da vida, que foi eleito para a seleção de todos os tempos do Atlético de Madrid. "Estou no time dos melhores do Palmeiras também", lembra. Ele gosta de recordar da Copa do Mundo de 74, que disputou com a seleção brasileira, eliminada da final pela Laranja Mecânica. "A Holanda foi uma revolução, surpreendeu a todos nós. Até hoje eles influenciam o futebol. Acho que faltou um pouco mais de sorte aos holandeses em 74 e 78", analisa o ex-jogador.Apesar de estar ligado ao Atlético de Madrid, Luís Pereira gosta de falar do Barcelona. Jogadores como Ronaldinho Gaúcho o deixam contente. "Mas o Deco, o Xavi e o Eto´o também estão em grande fase." Para ele, porém, o grande jogador da Espanha, "o mais completo de todos" é o atacante Raúl, do arqui-rival do Atlético, o Real Madrid.Luís Pereira diz também que está de certa forma ligado aos negócios do futebol. "Converso com empresários e já chegamos à conclusão de que dá pra fazer duas ou três seleções com jogadores que atuam no Brasil. Acho até que a comissão técnica da seleção deveria dar mais chances para os novos", diz Luís Pereira.Quanto aos já consagrados, ele joga confete em Robinho. "É um jogador que todos querem ter, o Atlético também, mas tudo só vai ser definido no mês que vem, quando a Federação Espanhola reabrirá as inscrições. Robinho vai ser um boom aqui, mais ou menos quando o Pelé apareceu no mundo do futebol", exagera o ex-zagueiro. "Futebol é alegria, não se deve jogar por obrigação, é bonito fazer o que se gosta. Robinho demonstra isso", analisa Luís Pereira, que no início de 2006 vai acompanhar nos estádios a Taça São Paulo de Juniores.

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