Luiz Felipe Scolari conversa para montar a segunda família na seleção

Treinador bate papo com atletas, dá conselhos e avalia quais tem espírito de seleção, como no time campeão de 2002 na Ásia

ALMIR LEITE / ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S. Paulo

24 de março de 2013 | 08h21

GENEBRA - Luiz Felipe Scolari não está aproveitando os oito dias de convivência com os jogadores da seleção brasileira, por causa dos amistosos contra a Itália e Rússia, só para definir e aprimorar o esquema tático e ver com quais jogadores pode contar dentro de campo. Também usa o tempo para conversar com os atletas e “sentir” os que têm realmente espírito de seleção. E também dá conselhos, muitos conselhos. Felipão está no início do processo de formação de uma nova família, embora não utilize o termo.

As conversas têm sempre futebol, mas os temas podem variar, de acordo com o interlocutor. Neymar, por exemplo, recebeu até dicas sobre como administrar sua carreira e suas finanças. Com Thiago Silva o papo foi basicamente de boleiro. Marcelo também foi um dos que tiveram um tête-à-tête com o treinador. Falaram da bola e da vida.

Neymar, por exemplo, está merecendo atenção especial, por sua importância para a seleção e também por ser jovem. Ele está sendo preservado na seleção, não é escalado para entrevistas, para evitar que tenha de falar de assuntos que o deixam desconfortável, como a transferência para a Europa. “Eu disse a ele que aqui com a gente não será tão exposto como é no Santos. Lá ele precisa cumprir uma série de compromissos. Aqui será preservado.”

Felipão garantiu que percebeu logo de cara que Neymar é um garoto equilibrado e tranquilo.

Mas as conversas de Neymar com Felipão não giram apenas em torno da bola. Dia desses, falaram de negócios. “Ficamos até tarde falando sobre investimentos, sobre o futuro”, revelou Felipão. “Eu sei que não é normal, mas como a gente passa algum tempo juntos, vamos falando.”

Marcelo tem fama de destrambelhado e, de acordo com uma pessoa que testemunhou um papo, o treinador o aconselhou a ser menos intempestivo.

EXPLICATIVO

Quando falaram de bola, numa conversa antes do primeiro treinamento em território suíço, explicou que escalaria Filipe Luís porque o lateral do Atlético de Madrid entrou numa fria no jogo contra a Inglaterra – substituiu no segundo tempo Adriano, que estava levando um baile de Walcott e também teve dificuldade – e seria injusto tirá-lo da equipe.

Também elogiou a ofensividade do lateral, mas disse-lhe que é preciso ter consciência de que é necessário, para um jogador da posição, dedicar-se também a defender.

Com Thiago Silva, a quase meia hora de conversa que precedeu ao treino de sexta-feira girou basicamente sobre a importância do zagueiro para o time. O treinador perguntou da família, da vida em Paris, mas falou longa e tranquilamente sobre o que espera do zagueiro, capitão da seleção. Quer que ele use toda sua técnica, experiência e tudo o que aprendeu sobre tática de jogo e posicionamento, para liderar o setor, dar tranquilidade aos companheiros, a maioria jovens. Enfim, ser o comandante do time em campo.

Felipão conversou, nos treinamentos e também durante as longas estadas no hotel, com vários outros jogadores. E vai continuar a usar esse recurso sempre que possível. Acha fundamental transmitir o que pensa e, principalmente, saber o que passa na cabeça de seus jogadores.

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