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Luizão: um gol e o título na despedida

Luizão iria ser substituído. Já não demonstrava força física e Paulo Autuori percebeu. Perguntou duas vezes ao atacante: "Você está bem??. A resposta foi afirmava. O artilheiro não queria sair, mas o treinador decidiu que Souza deveria entrar. Foi então que Amoroso recebeu a bola. Livrou-se do defensor do Atlético-PR e cruzou. Do outro lado, Luizão só teve o trabalho para escorar e fazer o terceiro gol do São Paulo, aos 25 minutos do segundo tempo.Luizão não agüentou a emoção e caiu no choro. E foi chorando que ele saiu de campo, logo depois, dando lugar a Souza, com o Morumbi inteiro gritando seu nome. Foi a última vez que Luizão veste a camisa do São Paulo - vai para o Japão, jogar no Nagoya Grampus. Uma despedida marcante, inesquecível. "Estou muito feliz, é o título mais importante da minha vida. Hoje eu sou o cara mais feliz do mundo?, foi o que Luizão conseguiu falar no meio da festa ainda no gramado do Morumbi.Logo depois, Luizão recebia, no banco de reservas, o abraço de Amoroso, com quem 11 anos atrás, em 1994, formou no Guarani uma dupla de ataque que quase foi campeã brasileira.Também substituído, Amoroso, assim que pode, foi ao encontro do parceiro - que, aliás, deu o passe para que ele marcasse o primeiro gol do São Paulo na consagradora goleada por 4 a 0 sobre o Atlético-PR.Partida encerrada, Luizão comemorou com os companheiros, mas não deixou a torcida de lado. Correndo de um lado para outro do campo, batia com a mão no peito e acenava, agradecendo o apoio.Luizão já havia ganho a Libertadores, em 1997, pelo Vasco. Mas tem motivos para considerar a conquista desta quinta-feira especial. Sua passagem pelo São Paulo foi rápida, mas vitoriosa e marcante. O artilheiro defendeu o São Paulo em apenas 28 jogos, mas admite: o clube foi um dos que mais marcou sua carreira. "Aqui, tive carinho e respeito de todos, desde o porteiro até a moça que arruma os quartos da concentração", contou dias antes da decisão. "Já estou com saudade."O clube também não esquecerá sua participação. Graças aos cinco gols que fez, ajudou o São Paulo a conquistar o título da Libertadores pela terceira vez e se tornou o maior goleador brasileiro na história do torneio - chegou a 28, ultrapassando a marca de Palhinha, ex-Cruzeiro, que fez 25.Aos 29 anos, Luizão viaja nos próximos dias para o Japão, onde vai atuar pelo time dirigido pelo técnico Nelsinho Baptista. É sua última chance de fazer um bom contrato. "A proposta é muito boa, não tinha como recusar", admitiu o atacante, que deve receber cerca de US$ 1 milhão, até o fim do ano.Além da vantagem financeira, Luizão levará consigo uma ponta de arrependimento. Isso porque assinou contrato com o Nagoya durante o Campeonato Paulista, quando não foi muito utilizado pelo antigo treinador do São Paulo, Emerson Leão. "Contra a Portuguesa, fui cortado até do banco de reservas, isso nunca tinha acontecido na minha carreira", revelou o atacante.E se fosse hoje, quando se tornou titular absoluto, também iria para o Japão? "É difícil dizer...", disse Luizão. "Eu não sabia o que viria pela frente."Desde que chegou ao Morumbi, Luizão teve a oportunidade de voltar a atuar com velhos amigos. O reencontro com Amoroso foi especial. "Não imaginava que voltaríamos a jogar juntos", confessou o atacante. Ao lado do lateral-esquerdo Júnior, relembrou os bons momentos da conquista da Copa do Mundo de 2002 pela seleção brasileira. "Vou sentir falta do Júnior, mas quem sabe a gente ainda volta a atuar junto?", afirmou Luizão. "Podemos montar um time no interior da Bahia e encerrar a carreira por lá", brincou.O fim da carreira, no entanto, não é uma realidade distante. "Acho que agüento jogar mais uns dois anos, no máximo", reconheceu Luizão, que já passou por quatro cirurgias nos joelhos. "Pelo meu estilo de jogo, de lutar e correr muito, chega uma hora que o corpo começa a sentir."

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