Lula pergunta a Parreira se Ronaldo está gordo

Foi um papo de torcedor. Nos cerca de 25 minutos em que conversou com os jogadores e a comissão técnica da seleção brasileira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, através de uma videoconferência, pediu para a seleção trazer o hexacampeonato, para os jogadores não "tremerem" e chegou a insinuar um pedido para Juninho Pernambucano virar titular. Lula, acompanhado de dona Marisa e do ministros dos Esportes, Orlando Silva, estava na sala de audiências do Palácio do Planalto, enquanto toda a seleção - com exceção de Ronaldo, doente - fez contato de uma sala no hotel em que estão hospedados em Königstein, na Alemanha. Mas apenas o técnico Carlos Alberto Parreira, o coordenador técnico Zagallo e os jogadores Cafu e Roberto Carlos falaram. Já na abertura da videoconferência, Lula afirmou que o Brasil tem que ganhar a Copa. "Ninguém admite que o Brasil não seja campeão. Eu nunca vi, na vida, tanta unanimidade", disse. Logo em seguida, entrou em um assunto que todo torcedor quer saber: "Vira e mexe a gente lê aqui na imprensa brasileira que o Ronaldo está gordo. Afinal de contas, ele está gordo ou não está gordo?", perguntou. A resposta foi a esperada. Parreira afirmou que Ronaldo está "muito forte". "Ele mudou o biótipo dele, não é mais aquele garotinho de 94, ele está muito forte", disse o técnico. O presidente chegou a pedir repetidas vezes para Cafu - que classificou como o mais experiente da seleção - não deixar a "meninada tremer", perder a paciência e acabar expulso. Num tom típico de torcedor, Lula pediu "pelo amor de Deus" para os jogadores não perderem a tranqüilidade e fazerem gols "até de canela". "Eu queria te dizer o seguinte: olha, não deixa essa meninada tremer, em hipótese alguma", disse para Cafu. "Dentro do campo, você tem que pedir para esses meninos não perderem a paciência nunca. Como capitão você precisa ficar de orelha em pé perto desses meninos e não permitir que eles percam a tranqüilidade, mesmo que sejam provocados". O presidente ainda lembrou os casos de Ronaldinho Gaúcho, expulso na copa de 2002, após pisar no pé de um atleta inglês, e de Leonardo, expulso em 1994, depois de dar uma cotovelada em um jogador americano. Em sua resposta, Cafu lembrou ao presidente que a "meninada", apesar de nova, é bastante experiente - a média de idade do grupo é superior a 29 anos. "Eu acho que, apesar da pouca idade da nossa equipe, são todos jogadores experientes, presidente. Todos eles aquilo que vão fazer em campo ou não. Quanto às agressões, eu acho que foram episódios e isso não vai acontecer mais", disse o jogador. Apesar da insistência de Lula, Parreira não quis responder qual a seleção que preferiria enfrentar em uma final da Copa. "A gente não tem escolha", afirmou. "O que nós queremos é chegar na final e ganhar de qualquer maneira. Nós temos time e condições de ganhar de qualquer seleção. Nós vamos vender caro qualquer coisa que não seja o hexacampeonato."O único momento político da conversa partiu do coordenador técnico Zagallo. Ao responder a pergunta de Lula sobre como estava seu entusiasmo, Zagallo disse: "Presidente, eu vim com 110 volts do Brasil e aqui estou com 220. Eu não perdi a voltagem não, ela aumentou. De modo que, se tiver que dar curto circuito, vai dar neles, não na gente. E, presidente, nós começamos a Copa do Mundo com o nosso número 13 (dia da estréia na Copa), o 13 do PT, o 13 do meu Santo Antônio."O presidente ainda classificou Juninho Pernambucano como um "exímio batedor de falta" e chegou a insinuar um pedido para que o jogador entrasse no time titular, perguntando quem escolhia os batedores numa partida. Parreira respondeu que eles mesmos escolhem, que tem no time Ronaldinho e Roberto Carlos como batedores, e completou: "Se Juninho entrar, passa a fazer parte desses jogadores que cobrarão falta."

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