Lulinha admite: teve medo de voltar para as categorias de base

Com multa de quase R$ 90 milhões, jogador acreditava que regressaria na carreira por causa do rebaixamento

Entrevista com

Cosme Rímoli, do Jornal da Tarde,

08 de janeiro de 2008 | 09h14

"Estava morrendo de medo de voltar para os juniores. Pensei que disputaria a Copa São Paulo depois do rebaixamento. Foram as piores férias da minha vida." Na primeira entrevista que deu desde o rebaixamento do Corinthians, o atacante Lulinha mostrou o quanto a queda para a Série B mexeu com ele, um garoto de 17 anos que tem a cláusula de rescisão contratual estipulada em US$ 50 milhões (R$ 87,8 milhões) e ainda não conseguiu marcar nem sequer um gol no profissional. Veja também: Corinthians pode utilizar exame que indica ingestão de álcool Jornal da Tarde - Como foram as suas férias?Lulinha - Foram as piores da minha vida. Sofri muito. Tudo começou com o fim do jogo com o Grêmio. Fui para o doping com o Moradei e choramos muito. Nas férias não tive coragem de viajar. Fiquei trancado em casa, envergonhado. Foi um horror. Não colocaram responsabilidade demais nas suas costas? Nem Pelé, nem Maradona, nem Zico, com 17 anos, tiveram de salvar os seus times do rebaixamento.É verdade. A pressão foi muito grande. Mas eu estava há nove anos sonhando com a chance de ser titular no Corinthians. Pronto ou não, eu não tinha condições de dizer não. Poderia ser a única oportunidade que apareceria. Você admite que queimou etapas, como disse o Mano Menezes?Sim. É muito diferente jogar no profissional. Os jogadores são mais vividos, maduros. Os zagueiros sabem onde a bola vai chegar. Acredito que se tivesse seguido o caminho normal, que é entrar entrar aos poucos até me firmar, seria melhor. Tanto é assim que se o Mano quiser começar o ano me colocando na reserva, tudo bem. Quero começar a minha carreira da maneira certa. Vale até ficar na reserva mesmo?Vale sim. Sei que o Mano Menezes vai colocar jogadores experientes ao meu lado e sinto que serei muito orientado. Todo jogador tem vaidade e gostaria sempre de ser titular e eu não sou diferente, mas se tiver de esperar no banco e entrar aos poucos, tudo bem. Estava morrendo de medo que depois das férias tudo seria pior. Como assim?Estava morrendo de medo de voltar para os juniores. Pensei que disputaria a Copa São Paulo depois do rebaixamento. Foram as piores férias da minha vida. Só ficava pensando coisas ruins. Achei que seria considerado culpado pela queda do Corinthians. Culpado sozinho você não é. Mas como é que você pode valer US$ 50 milhões e ter contrato com a Nike até 2012 se ainda não fez gol?Conversei com gente experiente e isso não vai mais me atrapalhar. Não posso ser dominado pela pressão de ter de fazer gol de qualquer maneira. Vou te dar um dado importantíssimo: tenho 297 gols na categoria de base. Sei fazer gol e não vou ficar me cobrando como fiz no ano passado. Foram 23 partidas sem marcar. Mas a tranqüilidade vai me trazer os gols. Como foi o comportamento da sua família com o rebaixamento?Foi triste demais. Minha tia havia reunido a família inteira na partida contra o Grêmio para mostrar a nossa permanência na Série A. Todos ficaram desesperados com a queda. Foi uma choradeira que me assustou e me deixou ainda mais triste. Eu já tinha chorado demais com o Moradei. Aí, liguei para a minha família e a tristeza aumentou. Você esteve em dois fracassos: a eliminação da seleção brasileira sub-17 no Pan e o rebaixamento do Corinthians. O que essas derrotas ensinaram?A valorizar a vitória. Não há sensação melhor do que ganhar uma partida. Nas categorias de base eu nem ligava quando ganhava. Agora, não. Vou saborear muito mais um gol, vencer uma partida. Mas não sobrou um pouco de raiva ?Ah, sim... Quero calar a boca de muita gente que duvidou de mim e me criticou pelas costas. Teve amigo meu que falou mal de mim. Essas pessoas vão se arrepender do que disseram. Quais são os seus sonhos para 2008? Você tem disposição para sonhar?Tenho certeza de que este ano será completamente diferente para mim e para o Corinthians. Primeiro, o meu time terá um ano como merece e vamos voltar para a Série A. E eu quero disputar e ganhar a Olimpíada. Chega de sofrimento. Já chorei demais.

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