Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Lusa faz planos para se levantar e quer passar 'rápido' pela Série C

Diretoria apostará em jovens e em convênios com empresários para montar um time forte que não faça feio no Paulista e volte à Série B

Vítor Marques e Fábio Hecico, O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2014 | 21h48

Rebaixada à Série C do Campeonato Brasileiro, a Portuguesa vive a sua pior crise em 94 anos de história. Um dia após a queda, consumada com a derrota para o Oeste por 3 a 0 na última terça-feira, o pensamento no clube é um só: por uma questão de sobrevivência, o purgatório da terceira divisão precisa se limitar ao ano de 2015.

Se o acesso não vier no ano que vem, as receitas, que já são ínfimas, vão desaparecer por completo. O baque já foi grande quando o clube caiu, no tapetão, da Série A para a B em 2013. A verba de direitos de televisão caiu de R$ 18 milhões para R$ 2,5 milhões. Na Série C, não há cota de televisão. A CBF paga apenas passagem de ônibus e aéreas (para distâncias maiores de 700 quilômetros).

Sem dinheiro, sofrendo uma série de ações na Justiça e devendo salários a jogadores e funcionários, o clube vai apelar a parcerias com empresários de jogadores e apostar nas categorias de base. A ideia é montar um time que se mantenha na primeira divisão do Campeonato Paulista e que possa conseguir o acesso à Série B no final do ano.

"Vamos enfrentar a Série C e o Paulista pensando grande", disse o presidente do Conselho Deliberativo, Marco Antonio Teixeira Duarte. "No último ano do mandato do Ilídio (Lico), em 2016, queremos subir para a Série A". O dirigente ainda culpa a gestão anterior pelo momento de penúria e pelo rebaixamento à Série C. Segundo ele, tudo começou com o tapetão no final do ano passado.

A Portuguesa foi rebaixada no STJD por causa da escalação irregular do meia Héverton na última rodada do Brasileirão. O time perdeu quatro pontos, entrou na zona de rebaixamento e livrou o Fluminense da degola. "Fomos dormir com receitas e despesas de Série A e acordamos com receitas de Série B, mas despesas de Série A", disse Marco Antônio. "Vieram ações e processos, começou com 48 e hoje são cerca de 140. São pequenos fatores que, somados, viraram uma bola de neve".

Após a derrota para o Oeste, jogadores reclamaram do atraso de salário. "Ninguém trabalha de graça", disse o zagueiro Matheus Alonso. Marco Antonio diz que o clube não paga salários há um mês e o atraso no pagamento dos direitos de imagem vai completar dois meses.

SEIS TÉCNICOS
Zé Augusto foi o sexto treinador do time na temporada. Ele assumiu a equipe principal há três jogos, já com o time à beira do precipício. E por isso continua no clube. O elenco já está mais enxuto. De 47 jogadores, restaram 26. "A diretoria me deu total aval para já ir pensando no time do ano que vem. O planejamento primeiro está em cima do Paulistão, no qual a meta será ter um grupo forte para não correr o risco de rebaixamento e, depois, para subir na Série C. Eles querem ficar lá (na terceira divisão) apenas uma temporada".

Para o treinador, as mudanças constantes no comando técnico mais atrapalharam do que ajudaram o time na disputa da Série B. "A Portuguesa não teve DNA nessa Série B, mudou muito de comando, de jogadores, e cada técnico adotava um esquema. Assim ficou muito difícil. A meta, agora, é já ir formando uma base para o ano que vem voltarmos a jogar um bom futebol".

Segundo Zé Augusto, que foi treinador do Corinthians antes do rebaixamento à Série B, em 2007, a saída é lançar garotos das categorias de base. "Não queremos fazer feio em 2015. Trabalharemos com um grupo de 26 jogadores e alguns meninos serão utilizados como o Luan Viana, o Jussa, o Marcelinho (apelidado de Robinho), todos atacantes, além do Bruno, lateral-direito, e do Nescau, um meia esquerda muito habilidoso".

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