Lusinha inicia processo de desmanche

O time salário mínimo que levou a Portuguesa Santista a realizar a melhor campanha dos últimos 65 anos - 3ª colocada no Campeonato Paulista - tem data marcada para se desintegrar por inteiro: 31 de março. Nesse dia vão terminar os contratos dos poucos jogadores levados para Ulrico Mursa pelo clube, do técnico Pepe e de seus auxiliares. Nenhum dos contratos vai ser renovado. Antes disso, boa parte dos titulares do time já terá mudado de clube. O êxodo começou neste domingo, ao final do jogo em que time perdeu por 1 a 0 do São Paulo, na Vila Belmiro, com a despedida dos 12 jogadores cedidos pelo empresário Luís Taveira. Souza e Rico devem acertar com o São Paulo, embora tenham propostas de mais quatro grandes do futebol brasileiro - um do Rio de Janeiro, um de Minas Gerais e mais dois de São Paulo; Maurício vai para o Juventude, de Caxias do Sul, e o novo endereço profissional do zagueiro Nenê deve ser o Parque São Jorge. Quase o time inteiro já tem para onde ir. É a recompensa para quem aceitou trabalhar quase de graça no Campeonato Paulista, na esperança de um futuro melhor graças a exposição na mídia. A aposta valeu a pena. Para a Portuguesa Santista, além do feito que entra para a sua história, restou uma certeza: vai ter que hibernar até o próximo Campeonato Paulista. Pepe, que espera acertar com um time da Série A do Campeonato Brasileiro, recomenda que os dirigentes não desprezem o bom trabalho que foi realizado. "Esse time, ou o que sobrar dele, tem que continuar, disputando a Série B ou C do Brasileiro ou até campeonato varzeano, mas não sei o que vai acontecer porque aqui na Portuguesa Santista é tudo na base do ?vai da valsa?. O presidente do clube, Carlos Alberto Amado Costa, construtor e dono de uma agência de turismo, avisa que não pode fazer milagre. "Se não conseguirmos um patrocínio forte ou uma parceria, o melhor será parar até o ano que vem, porque o campeonato entre pequenos apenas para manter os times em atividade que a Federação Paulista de Futebol(FPF) promete organizar ou a Série C do Brasileiro são competições deficitárias." A esperança é que em 2004, além do Campeonato Paulista mais longo e rentável, o time Santista seja convidado para disputar a Copa do Brasil, em razão do seu sucesso no estadual deste ano. Taveira também não demonstra o menor interesse em se envolver numa nova aventura. "A Série C do Brasileiro só é suportável na primeira fase, quando é regionalizado e os clubes podem viajar de ônibus. Depois é obrigado a arcar com as despesas de viagens aéreas para o Rio Grande do Sul, Pará, Amazonas e outros estados distantes, além das hospedagens. Sem contar que a exposição na mídia é limitada e não atrai as empresas, porque não dá retorno." Para ajudar a Portuguesa Santista a montar um time, cuja missão era evitar a queda para a Série A-2, Taveira contou com a boa vontade de cinco portugueses ricos que pagaram, do próprio bolso, os R$ 36 mil referentes aos salários dos 12 jogadores emprestados pelo empresário durante o competição. Se algum desses jogadores for negociado, a Portuguesa Santista terá direito a uma pequena porcentagem, que ele não revela de quanto será, por ter servido de vitrine. "Só ninguém mais compra jogador. Talvez algum clube do exterior, mas é preciso esperar abrir o mercado, no meio do ano." Para Pepe, o Campeonato Paulista e aventura em Ulrico Mursa serviram para provar que ele continua sendo um dos mais competentes técnicos do futebol brasileiro, com a vantagem de saber, como ninguém, agrupar jogadores num clima de camaradagem, tirando máximo de cada um. Antes de retornar a Ulrico Mursa, no ano passado, Pepe havia trabalhado como técnico a última vez em 1998, na Internacional, de Limeira. Em seguida, foi supervisor de futebol da Ponte Preta. "Estou com 68 anos, mas ainda tenho muita lenha para queimar", afirma. "Mostrei bom olho clínico, escolhendo esse grupo de uma seleção de mais de 100 jogadores. O nosso azar foi ter caído contra o São Paulo nas semifinais. É o melhor time do Brasil e que quando acerta não perde de ninguém. Talvez só para o Santos. Se fosse contra o Corinthians era só marcar Kléber e Gil e dava para ganhar. Palmeiras, então, não tinha nem quem marcar", concluiu o segundo maior artilheiro da história do Santos, com 405 gols, perdendo apenas de Pelé, e um dos maiores colecionadores de títulos como jogador e técnico.

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