'Lutamos, mas não há mais o que fazer agora', diz Tirone

Arnaldo Tirone está cansado e vive com medo. Ao falar sobre sua administração, diz acreditar ter feito todo o possível para evitar que o Palmeiras chegasse aonde está - embora a opinião da maioria dos torcedores do clube seja bem diferente. Em entrevista ao Estado, publicada nesta quarta-feira, o dirigente desabafou e admitiu que já pensou em desistir do cargo, mas mudou de ideia. Ele disse que demorou demais para perceber a acomodação da equipe após o título da Copa do Brasil e que paga por essa omissão.

DANIEL BATISTA, Agência Estado

14 de novembro de 2012 | 10h45

"Lutamos, fizemos de tudo, mas não tem mais o que fazer agora. Chega um momento em que (a situação) não depende mais da gente", afirmou Tirone, ao ser questionado sobre o fato de que é o nome mais xingado pelos torcedores atualmente. Em seguida, ele enfatizou que não poderia ter um discurso diferente, apesar de o mesmo levar a crer que o seu time está realmente fadado ao rebaixamento.

"Vou falar o quê? A gente fez o que dava para fazer. O time é o mesmo que foi campeão da Copa do Brasil. É difícil explicar como as coisas mudaram desse jeito. Tivemos muito azar com problemas de lesões e não soubemos superar essas coisas", completou.

Tirone admitiu abalo emocional ao falar que "não está com cabeça fria para analisar nada", embora seja o principal líder do clube, e ainda reconheceu que errou ao deixar o Brasileirão em segundo plano enquanto o time estava focado na Copa do Brasil.

"No Brasileiro, nós não nos preocupamos como deveríamos. A gente foi deixando para se recuperar mais para frente porque o campeonato era longo e agora estamos pagando caro. Erramos ao não mudar a postura antes. Focamos no Paulista e na Copa do Brasil, mas deixamos de lado o Brasileiro. Estamos pagando por isso. Mas, independentemente disso, acredito que o (Gilson) Kleina tem de ficar para o ano vem. Ele não tem culpa pelo que acontece", disse o dirigente, que voltou a dizer que ainda não sabe se tentará lutar pela reeleição no Palmeiras, tendo em vista o alto risco de queda à Série B.

Tirone, porém, acredita que deixará um legado importante para o próximo mandatário palmeirense, mesmo que o time seja rebaixado no Brasileiro. "O futuro presidente vai pegar um clube mais organizado e tranquilo. Apesar do momento chato, acabamos de ser campeões. Temos lojas do clube, uma academia de primeiro mundo, ganhamos um título, renegociamos as dívidas e temos salários em dia. E ainda vamos lucrar com alguns atletas. Barcos, João Denoni e Patrick Vieira renderão milhões de euros. Mas não quero vendê-los agora. Deixe isso claro, por favor (neste momento, seu filho interrompe a entrevista avisando que vai sair e pede para o pai tomar cuidado dentro de casa). Pode ir, filho, fique tranquilo... Meu filho está preocupado. É sempre assim. Tenho de ficar preocupado o tempo inteiro", disse, ao comentar as constantes ameaças que vem recebendo de torcedores revoltados com a fase do Palmeiras.

Para finalizar, Tirone avisou que não existe a possibilidade de o clube pagar "mala branca" (prêmio para um time vencer um jogo) para adversários de Sport, Portuguesa e Bahia, rivais diretos do Palmeiras na luta contra o rebaixamento, nas rodadas finais do Brasileirão.

"Não tem como tirar dinheiro do clube para dar para outros. Se fosse para dar incentivo, seria dentro de nossas possibilidades e para o elenco. Mas vimos o Atlético de Goiás vencer o Santos com Neymar e tudo. Temos de acreditar. Pode acontecer de tudo no futebol. Sei que não vamos desistir jamais", encerrou.

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