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Luxemburgo chega com "pés no chão"

Jogadores bons e baratos. Assim deverá ser o Palmeiras de Vanderlei Luxemburgo em 2002. O treinador, que assumiu, hoje, pela terceira vez o cargo no time do Parque Antártica, chegou pregando uma nova filosofia de trabalho, pedindo o fim dos salários milionários no futebol brasileiro. "A realidade do País é outra. Não há mais receita para se pagar muito", disse Luxemburgo, dando a entender que o momento é investir modestamente, em jogadores jovens ou que custem pouco dinheiro. "A crise chegou ao futebol e o Palmeiras não pode fugir da realidade." Como reflexo da situação, o técnico admitiu que teve de "ceder" para aceitar a proposta do clube do Parque Antártica. Depois de dez dias de negociação com a diretoria, Luxemburgo foi obrigado a aceitar o que o presidente do Palmeiras, Mustafá Contursi lhe ofereceu. "Não tenho vergonha de dizer que eu tive de me adaptar à essa realidade, e os jogadores terão, agora, de fazer o mesmo", afirmou o técnico, que vai receber 100 mil por mês, quase a metade (R$ 180 mil) do que ganhava no Corinthians, salário que era bancado pela empresa norte-americana, Hicks Muse, patrocinadora do time do Parque São Jorge. Além do momento difícil que atravessa o futebol, Luxemburgo vai trabalhar no Palmeiras sem o apoio de um patrocinador forte, ao contrário do que ocorreu nas duas vezes que trabalhou anteriormente no Parque Antártica, em 93/94 e 96, quando o Alviverde tinha a Parmalat como co-gestora, que garantia contratações milionárias e pagava altos salários. No Corinthians, ele contava com a Hicks Muse. "Hoje a situação é igual para todo mundo. Com exceção do Corinthians, nenhum outro clube tem patrocinador para investir em contratações", ressaltou o treinador, que será apresentado quinta-feira ao elenco. Diante do momento que atravessa o esporte, Luxemburgo antecipou que sua filosofia no Palmeiras será montar um time com jogadores jovens, mesclado com alguns atletas experientes. O primeiro reforço do Palmeiras, com esse perfil, poderá ser Rodrigo, atacante do Botafogo-RJ. Um zagueiro, um meia e um atacante "matador" também estão nos planos do Palmeiras. Mas jogadores como Edílson, Euller e Juninho Paulista não passaram de sonho. "Chegamos a pensar nesses jogadores, mas não há condição para contratá-los", afirmou o dirigente. A primeira missão de Luxemburgo será montar a comissão técnica. Por decisão de Mustafá, foram demitidos o preparador físico Carlos Pacheco, o treinador de goleiros, Carlos Pracidelli, os médicos Rubens Sampaio e Marcelo Saragiotto, o fisiologista Paulo Zogaib e o massagista Biro. Luxemburgo afirmou que o preparador físico Antonio Mello, que trabalhou com ele no Santos e no Corinthians, poderá fazer parte da sua equipe no Parque Antártica. Luxemburgo não tem mágoas do Corinthians. Ele atribuiu a saída do Parque São Jorge por causa dos desentendimentos com a Hicks Muse. "A gente estava sempre divergindo. Os americanos entendem mesmo é de hambúrgueres e Michael Jackson", disse o técnico.

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