Luxemburgo chega e joga duro com estrelas

Vanderlei Luxemburgo começa a trabalhar oficialmente neste domingo, às 17 horas, quando reunirá os jogadores no Centro de Treinamentos Rei Pelé para um rápido treino, visando o jogo contra a Liga Deportiva Universitária, mas neste sábado já teve participação na vitória do time contra o Juventude-RS, fazendo preleções, decidindo a escalação e substituições de jogadores. Aproveitou para pegar pesado com Alex e Paulo Almeida. "Como já é público aqui, todos sabem que Alex e Paulo Almeida já estão vendidos. Vou conversar com eles e só for para tirar o pé, eles estão fora." Luxemburgo negou que exigiu a contratação de Rivaldo, mas apenas desconversou quando respondeu sobre Ricardinho, que pode ser o próximo reforço."A partir deste sábado estou dirigindo o melhor elenco do Brasil e com grandes possibilidades de conquistas. Para confirmar que é o melhor time precisa ganhar a Libertadores", disse Luxemburgo, quando saía do prédio onde mora o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, no bairro do Boqueirão, em Santos, às 6 horas deste sábado, após uma reunião que começou às 22 horas de sexta-feira e se prolongou por oito horas. No final, ficou acertado que ele volta à Vila Belmiro, seis anos e quatro meses depois de sua saída, no final de 1998, acusado de mercenário. Terá plenos poderes - vai mandar também no futebol amador - e a missão de recuperar o time na Taça Libertadores da América (precisa ganhar com uma diferença de mais de dois gols da LDU (Liga Deportiva Universitária), do Equador, terça-feira, às 18h30, na Vila Belmiro para se classificar às quartas-de-final) e ganhar o Campeonato Brasileiro. Vai ficar até o final do ano no clube e o seu salário é segredo, mas não deve ser inferior ao que Leão ganhava - R$ 240 mil mensais, livres. Na coletiva à imprensa, após o jogo deste sábado, ele disse que vai trazer pouca gente para compor a sua comissão técnica e que pretende sugerir a construção de um hotel no Centro de Treinamentos Rei Pelé." "É difícil negociar com o Vanderlei" -, disse o diretor de Futebol, Francisco Lopes, quando saía da reunião. "O acerto foi um verdadeiro parto e o seu salário é o de técnico top, como o de Luís Felipe Scolari, Emerson Leão e Carlos Alberto Parreira. Mas não gosto de falar de valores." Na sua primeira passagem pelo clube, Luxemburgo conquistou o Rio-São Paulo, um torneio que estava voltando, sem a menor expressão, tanto que o clube nem considerou o título o fim da fila que havia começado em 1984. "Uma passagem que eu não esqueço foi a torcida, em pé, cantando parabéns no dia do meu aniversário (10 de maio). A torcida do Santos gostava muito de mim, depois ficou magoada em razão da minha saída. Acho que agora já esqueceu." Na primeira vez que voltou à Vila Belmiro foi como técnico do Corinthians, para enfrentar o Santos.A torcida, em coro, chamou-o de mercenário e lhe atirou moedas. O primeiro ato de Luxemburgo como novo técnico do Santos foi passar no hotel onde o time estava concentrado, no bairro do Gonzaga, almoçar com os jogadores e fazer a sua primeira preleção. "Disse que vou dar seqüência ao bom trabalho do Leão. Falei tudo o que penso e que vou pôr em prática." Depois de conversar com o técnico interino Márcio Fernandes, a sua primeira decisão: Pereira, Diego, Robinho e Diego foram poupados no primeiro tempo do jogo deste sábado à tarde, contra o Juventude-RS (Diego, Robinho e Deivid entraram no segundo tempo). "Deixei alguns jogadores fora dessa partida porque o jogo importante será o de terça-feira contra a LDU. O Campeonato Brasileiro terá mais 41 jogos e dá para se recuperar do que pode acontecer", disse, antes do jogo. Como quando chegou ao hotel, Luxemburgo só ouviu aplausos, palavras de boa sorte e elogios quando desembarcou do ônibus do clube, às 15 horas, na Vila Belmiro. Sentiu que já foi absolvido. E até brincou ao avaliar o elenco santista. "Tem muito jogador feio, mas o grupo é excelente." O jogo deste sábado só não foi o de sua estréia porque o técnico que ficou no banco foi o interino Márcio Fernandes. Luxemburgo assistiu à partida de uma cabine no setor das sociais, ao lado do empresário de Rivaldo, Carlos Arini, e além de orientado os jogadores no vestiário, passou instruções, por rádio, para Márcio.

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