Luxemburgo começa a mudar tudo na Vila

Durante 50 minutos, o técnico Vanderlei Luxemburgo conversou com os jogadores do Santos, antes de comandar o primeiro coletivo na Vila Belmiro, nesta segunda-feira. Foi uma conversa ao seu estilo: dura, em que procurou passar ao grupo o que pretende. Mas a surpresa mesmo aconteceu no treino: acostumados a trabalhar com Leão durante dois anos, os atletas há muito não viam tantas cobranças, não ouviam palavrões. Isso tudo no dia em que o treinador fazia aniversário e esperava desse mesmo grupo um presente: "passar á próxima fase da Libertadores" na partida de amanhã contra a LDU, na Vila Belmiro. O coletivo ocorreu na Vila Belmiro, o que não acontecia há muito tempo. Foi todo truncado e Luxemburgo gritou muito com os jogadores. Parava constantemente o treino para orientar o posicionamento e ficou bons minutos mostrando isso para o meia Diego, que passará a jogar mais avançado, atraindo a marcação do volante adversário. Uma boa jogada era elogiada, mas o que o novo treinador tentou mesmo foi corrigir erros que tem visto no time do Santos. O maior deles, a desatenção nas bolas cruzadas na área, mereceu um tratamento especial. Ele formou uma linha paralela à pequena área, com Deivid, André Luís, Pereira e Paulo César na função de tirar a bola dali a qualquer custo, para não repetir o desastre de Quito, em que a LDU marcou os quatro gols em bolas cruzadas. Luxemburgo não fez os jogadores treinarem a cobrança de pênaltis, pois acha isso desnecessário. Comentou que perdeu jogos com cobradores treinados e ganhou com outros que não haviam treinado. "O pênalti é o momento", disse ele, esperando que seu time vença o adversário por três jogos de diferença para não precisar disputar a vaga nesse tipo de cobrança. Os jogadores se assustaram um pouco com o novo estilo de comandar. Leão era disciplinador, mas os dois anos que passou na Vila Belmiro fizeram com que ele conhecesse perfeitamente cada atleta, seus méritos e suas limitações. Por isso, mudava a equipe sem mesmo treinar coletivamente e, durante os coletivos, deixava o treino correr, conversando pouco com os atletas. Em nome da alegria e descontração, uma das marcas do grupo, ele deixava algumas coisas passarem. Era uma cumplicidade admitida pelo ex-treinador. Com Luxemburgo, tudo foi diferente. Os jogadores estavam sérios, não houve espaço para as brincadeiras de costume de Diego, Robinho e companhia. Diego negou que o comportamento do novo técnico tenha assustado o grupo. "Não assustou. Ele teve uma conversa mais particular, passou o que pensa: dentro de campo, profissionalismo e seriedade", disse ele, atribuindo a "cara de espanto" à atenção que estavam prestando às orientações do técnico. "Cada um tem sua filosofia de trabalho e nós vamos nos acostumando", disse o jogador, que evitou comparação entre os dois treinadores. Na entrevista, Luxemburgo se justificou: "eles vão entender que essa cobrança faz parte de nosso trabalho e irão ver que, após o treinamento, acabou". Ele disse que iria conversar com o grupo na concentração, mas acha que seu estilo já era conhecido do grupo. Deivid, que conhece bem Luxemburgo, confessa que se assustou no primeiro treino que teve no Corinthians. "Vocês viram do jeito que ele é. Sempre trabalhou assim, é muito competente e estou acostumado, pois trabalhei com ele no Corinthians e no Cruzeiro e é bom trabalhar com um técnico assim, que cobra bastante e tira o máximo dos atletas". O jogador chegou na segunda-feira passada e Luxemburgo no sábado. Deivid conversou com seus novos companheiros sobre o estilo do treinador. "Falei sobre a forma que ele trabalha e todo mundo já estava ligado".

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