Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Luxemburgo diz que ir para o futebol chinês não é 'barco furado'

'É um transatlântico, que virá buscar muita gente no Brasil', afirma

PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

07 de janeiro de 2016 | 13h37

O mercado do futebol brasileiro está assustado com o assédio dos clubes chineses, que já levaram para o país os jogadores Renato Augusto e Jadson, do Corinthians, Luis Fabiano, do São Paulo, e o técnico Mano Menezes, do Cruzeiro, entre outros. Para o treinador Vanderlei Luxemburgo, que está comandando o Tianjin Quanjian, essa é só a ponta do iceberg.

"O Flamengo, que é meu time do coração, não tem a estrutura que o Tianjin tem. E eles ainda querem mais. Dá para ver que a coisa está só começando. Futebol, além de entretenimento, é negócio. Tudo acontece na China atualmente. É um país que está levando profissionais para desenvolver o esporte lá", conta.

O mercado chinês não tem tradição no futebol, se comparado aos times europeus ou japoneses, mas mesmo assim importantes jogadores brasileiros estão sendo seduzidos por propostas milionárias, quase irrecusáveis. Para Luxemburgo, jogar na China não é um "barco furado", pelo contrário.

"Apresentei para o Jadson um projeto, que começa na segunda divisão. Ele foi fantástico e disse que já estava engajado. Luis Fabiano falou que queria ser artilheiro e quer fazer 500 gols na carreira com a camisa do Tianjin. O barco é um transatlântico, que vai vir aqui no Brasil e buscar muita gente", avisa.

O técnico também falou sobre o receio de atletas como Jadson, Luis Fabiano e Renato Augusto desaparecerem do radar da seleção brasileira e perderem espaço com Dunga. "Perde também com ida para Ucrânia, para Rússia. Quase todos os jogadores da seleção atuam fora do Brasil. Os profissionais vão ter de olhar para a China. É uma coisa normal", avisa.

Para ele, essa preocupação não tem nada a ver com a China. "Isso mostra que o Brasil precisa se reorganizar e conquistar credibilidade. São três presidentes da CBF trocados, há uma turbulência, mas a China está introduzindo o futebol no colégio e quer em 20 anos fazer com que sua seleção possa disputar uma Copa em bom nível. O que está acontecendo hoje tem a ver com a estrutura do futebol brasileiro. Os atletas já foram para o Japão, para o leste europeu, agora a China. Só mudou o lugar."

Em sua pré-temporada, Luxemburgo trouxe o elenco para Atibaia, no interior de São Paulo, e os treinamentos serão realizados no Hotel Bourbon até o dia 3 de fevereiro. A comissão técnica do treinador conta com outros dez brasileiros: Gabriel Skinner (manager), Maurício Cupertino (auxiliar técnico), Bebeto (analista de desempenho), Daniel Felix e Diogo Linhares (preparadores físicos), Vágner Miranda (preparador de goleiros), Fabiano Bastos e Tarsson Passos (fisioterapeutas), Cláudio Pavanelli (fisiologista) e Flávio Cruz (médico).

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