Luxemburgo foi desonesto, diz Romário

Romário deixou o gramado do Estádio Jalisco, na noite de quarta-feira, ovacionado pelos torcedores, em sua maioria adversários. Mais uma vez foi o herói do Brasil. Salvou a equipe de um vexame e garantiu o empate com o México por 3 a 3. Na saída, uma multidão de repórteres queria entrevistá-lo. Com a cabeça alta, cheio de moral, começou a falar e não parou mais. O momento não parecia adequado para declarações polêmicas, mas o ´Baixinho´ não quis saber. Soltou sua língua cruel contra Wanderley Luxemburgo, ex-técnico da seleção, e elogiou Emerson Leão. "Só de saber que hoje a seleção tem um treinador (Leão) honesto, que convoca o jogador independentemente do nome ou do clube onde joga, já é bom." Uma pergunta pairava no ar. O quê ele quis dizer? "Ele (Wanderley Luxemburgo) foi desonesto comigo, porque eu estava bem na época da Olimpíada", explicou. Romário não se conforma, até hoje, com o fato de ter ficado fora da Olimpíada de Sydney. Jurou que, em suas afirmações, não quis se referir às acusações feitas contra o treinador pela secretária Renata Alves, que afirmou que Luxemburgo recebia propinas para convocar atletas. Nem fazer uma alusão ao crime de sonegação fiscal que o próprio treinador confessou ter cometido. As críticas também servem para Zagallo, que o cortou do grupo dias antes da Copa do Mundo de 1998. O alvo predileto, porém, era mesmo o atual técnico do Corinthians. "Ele não me convocou e eu me dei mal por isso, mas ele também", afirmou. "Como sempre costumo dizer, quem é ruim se destrói sozinho", completou, referindo-se ao momento difícil pelo qual passa Luxemburgo. A personalidade difícil de Romário sempre foi um problema a ser contornado pelos treinadores. Luxemburgo não conseguiu e acabou tendo vida curta na seleção. Leão começou bem e está domando a fera com tranqüilidade. Faz questão de poupá-lo dos treinamentos mais pesados e de deixá-lo sempre à vontade nos jogos. Além de tudo, deu-lhe a tarja de capitão. Ganhou a simpatia e a confiança do atacante, que não se cansa de elogiá-lo. É meio caminho andado pelo treinador para chegar à Copa do Mundo respaldado. "Ele tem o respeito da comissão técnica e cada vez mais está nos respeitando", declarou Leão. Contra o México, Romário estava jogando mal. Quase não encostava na bola. O segundo tempo chegava à metade e o Brasil perdia a partida, quando Leão resolveu fazer quatro substituições - tirou craques como Rivaldo e Roberto Carlos -, mas manteve o vascaíno em campo. A estrela do ´Baixinho´ brilhou novamente. Foram dois toques com categoria e dois gols. Garantiu ao Brasil o empate por 3 a 3 e livrou Leão das críticas. O treinador acabou saindo de campo vitorioso por ter apostado em Romário até o fim. "Ele é diferenciado e provou porque é o titular da seleção aos 35 anos." O técnico admitiu que dará um tratamento especial ao jogador em 2001 porque espera contar com ele na Copa do Mundo. Deixou claro, porém, que tudo vai depender do comportamento do atacante. "Ele sabe que será tratado de forma respeitosa, carinhosa, mas profissional. Este é um ano importante e ele tem consciência de que a próxima Copa será a última de sua carreira; para chegar até lá, vai precisar se cuidar, se preparar." Romário continua usando a cautela para falar sobre 2002. Acha cedo para dizer se terá ou não condições de ir ao Japão e à Coréia e prefere não fazer planos. Quer, agora, disputar quantos jogos puder pela seleção para alcançar seu grande objetivo no momento, o de ultrapassar Pelé na artilharia da seleção. Com os dois gols marcados contra o México, chegou a 60, segundo levantamento da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Faltam 17 para empatar com o Rei. "Quero disputar a Copa América, a Copa das Confederações e os jogos das Eliminatórias para ver se consigo meu objetivo." Adianta, porém, que continuará jogando do mesmo modo, sem correr, e permanecendo sumido durante boa parte dos jogos, como na quarta-feira. Sua função em campo, segundo ele, é apenas uma. "Nunca entrei para jogar bem, mas para fazer gols."

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