Luxemburgo revela desejo de comandar a seleção brasileira

Treinador traça planos para sua carreira e sonha em levar a seleção ao título da Copa do Mundo de 2014

Juliano Costa, Jornal da Tarde

15 de maio de 2008 | 09h16

Vanderlei Luxemburgo é mais do que um simples treinador no Palmeiras. Trabalha em todas as áreas do clube e atualmente está bastante empenhado na reestruturação do Centro de Treinamento - fala até com engenheiro e arquiteto sobre a reforma. E isso tudo após ter esnobado uma oferta do Lyon, da França. Nesta entrevista ao Jornal da Tarde, ele fala de seus planos, imediatos e a longo prazo. E revela uma meta: treinar a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014, que será no Brasil. Jornal da Tarde - Além de montar uma equipe competitiva, você foi contratado para trabalhar na transformação da parte estrutural do clube, principalmente no CT. Como está esse trabalho? Vanderlei Luxemburgo - A reforma do CT é necessária. Já passei todas as minhas idéias para a diretoria. Eu mesmo falei com uma porção de engenheiros e arquitetos e estamos caminhando no sentido de fazer um hotel aqui no ginásio. Já fizemos uma caixa de areia para o trabalho físico dos jogadores e haverá ainda outras transformações. A área de fisiologia e fisioterapia, por exemplo, ficará toda no ginásio. Teremos aqui um Centro de Excelência, com parque aquático e hotel para 50 pessoas. A idéia é começar junto com a pedra fundamental da Arena, em julho.Seu contrato vai até dezembro de 2009. Acha que fica tudo pronto até lá? Fica tudo pronto até o final deste ano. Deste ano? Sim, em seis meses, oito no máximo, a gente constrói tudo isso.E é você que tem falado com engenheiros e arquitetos? Converso sobre tudo aqui dentro. Mas não faço sozinho, claro. A gente conversa, troca idéia. Por exemplo: eu queria fazer o teto do hotel de uma maneira, mas o arquiteto falou para fazer de outra, com mais luminosidade.E nas equipes de base? Como é seu trabalho? É agora que vamos intensificar essa parte. Hoje mesmo (quarta-feira) vem um cara me mostrar um projeto arquitetônico que levarei para a diretoria. É um projeto para um grande clube. Vamos buscar recursos com o Ministério do Esporte, através da Lei de Incentivo ao Esporte, e direcionar tudo para o departamento amador, em Guarulhos (SP). Vamos construir hotel, campo, a mesma estrutura aqui do CT (da Barra Funda). O São Paulo pegou R$ 10 milhões com essa lei (grandes empresas podem deduzir 1% de seu imposto de renda em ações voltadas para o esporte). Depois que tivermos aprovados os projetos, vamos correr atrás pra ver quem pode ajudar.Você tem boa influência com o presidente Lula, um canal aberto com várias empresas... (interrompendo) Não, não é canal aberto. Qualquer pessoa pode ir em busca disso. A lei está lá, não é nada superfaturado, é tudo direito. Mas tem gente que tem preguiça. Eu não. Eu corro atrás.Então, na sua rotina, além do trabalho de campo, tem conversa com engenheiro, arquiteto, empresário. Você não sossega?Não, não consigo ficar sossegado. Trabalho pra caramba. Ontem mesmo (terça-feira) eu estava envolvido, das 7h às 10h da noite, num projeto da diretoria com os sócios remidos. Fui fazer uma apresentação das nossas idéias, conversar, discutir. Não consigo ficar parado.Talvez como conseqüência disso, seu nome é cotado para assumir outros clubes, como o Flamengo, por exemplo. Como administrar essa situação?É normal. Sondagens e propostas sempre vão acontecer. Acabei de recusar uma oferta de 4 milhões de euros (pouco mais de R$ 10 milhões) por dois anos (do Lyon, da França). E não fiz isso porque tenho contrato com o Palmeiras, mas porque estou feliz aqui, empolgado com os projetos que temos. Se amanhã não tivermos mais esta compatibilidade que temos agora, tanto eu como o próprio Palmeiras podemos pagar a multa rescisória e pronto, eu saio. Essa é uma situação prevista em contrato.Você pensa em voltar à seleção brasileira? Claro que sim, mas agora há um técnico trabalhando lá, o Dunga, e torço muito para que ele tenha sucesso na Copa de 2010. Já para 2014 eu posso ser um postulante ao cargo, se ele estiver vago. Vou ter 61 anos e seria muito interessante dirigir a seleção numa Copa do Mundo no Brasil. É uma idéia.Voltando a falar de Palmeiras: qual a fórmula para se fazer um time campeão? Tem que ter jogadores com perfil de campeão. Trouxe vários jogadores assim. Foram eles que levaram o grupo.E o planejamento para o Campeonato Brasileiro, como está? Quanto vai mudar do grupo que foi campeão paulista? Entre 20 e 30%. Devemos mudar uns seis jogadores.Já mudaram quatro (Sandro Silva, Jumar, Jefferson e Fabinho Capixaba foram contratados após o Paulistão). Sinal de que vai mudar só mais dois? Depende. Estamos analisando algumas situações. Vivemos a realidade do futebol. Se chegar uma proposta boa, tem que vender o jogador e sair atrás de outro pra repor a perda.E Diego Souza e Henrique podem ir para a seleção na Olimpíada. Já estou vendo possibilidades para essas situações. Podemos contratar alguém ou mexer no time, principalmente se o Diego sair. Aí posso usar três atacantes.Vem mais gente por contrato de produtividade, como Léo Lima e Denílson? Se for necessário, sim. E acho que será uma tendência muito forte no futebol daqui a alguns anos. Empresas traçando bônus por metas e objetivos. E no mercado do futebol, com contratos tão caros, isso tende a acontecer também.

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