Luxemburgo se esquiva e não comenta derrota

Os principais treinadores de Minas Gerais vêem o fracasso da seleção brasileira no Torneio Pré-Olímpico, do Chile, de maneiras bem distintas. Se por um lado, o técnico do Atlético-MG, Paulo Bonamigo, faz duras críticas aos jogadores, mesmo com o desafio de conquistar títulos pelo Galo, comandando um elenco formado por jogadores inexperientes e sem reconhecimento no futebol nacional, por outro, o técnico do poderoso Cruzeiro, Vanderlei Luxemburgo, por conveniência, prefere não comentar o assunto. Afinal, a base da seleção foi composta por jogadores da Raposa e do Santos.A explicação para o silêncio do treinador pode estar no fato de que a diretoria do Cruzeiro aposta em futuras negociações, envolvendo jogadores como o goleiro Gomes, o zagueiro Edu Dracena, o lateral Maicon e o volante Wendell, todos que fracassaram com a seleção no Pré-Olímpico. Especula-se, inclusive, que o atual campeão brasileiro já teria recebido uma proposta por Maicon, do Borussia Dortmund, da Alemanha. E outras possibilidades de negociação podem acontecer. Além do bom futebol do jogador, outro motivo apontado para a contratação de Rivaldo foi a visibilidade que os outros jogadores envolvidos nas parcerias do clube poderiam ganhar com a chegada do pentacampeão.Por isso, ao invés de tecer críticas ou comentários sobre a desclassificação da seleção e a participação dos jogadores no futuro dos clubes, Luxemburgo prefere esquivar-se. "Seleção não é assunto meu. Só falo do Cruzeiro", disse o treinador, que usará o exemplo da seleção para as partidas da Taça Libertadores desse ano.Com a responsabilidade de transformar um elenco repleto de jogadores jovens e desconhecidos em um time vencedor, o técnico Paulo Bonamigo, de certa forma, sente na pele o que passou com o técnico Ricardo Gomes. Talvez por isso, faça questão de defender o companheiro de profissão. "O Ricardo é um grande profissional. Ele é o menos culpado por tudo isso. Porém, no Brasil, a cultura do futebol sempre responsabiliza o treinador pelos fracassos", diz Bonamigo, que classificou o Coritiba para à Libertadores, com um grupo de jogadores jovens, mas optou pelo desafio de conquistar títulos pelo novo time do Atlético.Apesar do abatimento de alguns jogadores da seleção, Bonamigo afirma que os grandes derrotados com a desclassificação para a Olimpíada de Atenas são o torcedor e o esporte brasileiros. "O torcedor e o mundo do esporte é que estão lamentando profundamente a ausência do futebol do Brasil na Olimpíada que fica esvaziada sem a presença do melhor futebol do mundo. Porém, que o resultado, mais uma vez, sirva de lição para nossos jogadores e dirigentes. Ficou claro que faltou determinação, prova de que o esporte cada vez mais está sendo afetado por outros interesses", revela o treinador, que aguarda a chegada do meio-campo Paulinho, único jogador do Galo que fez parte do grupo da seleção no Chile.Repetindo o discurso do próprio treinador da seleção, que não acha que esse grupo de jogadores ficará marcado pelo fracasso, Bonamigo acredita que nas próximas semanas o torcedor vai esquecer tudo o que passou e voltará suas atenções para as próximas competições, eximindo os jogadores nos clubes da responsabilidade pela desclassificação no Pré-Olímpico. "Os atletas serão os menos afetados pelo fracasso. Daqui a duas ou três semanas, todos estarão levando uma vida normal em seus clubes, disputando às competições da temporada. A esta altura, o torcedor já se esqueceu da Olimpíada", completou.

Agencia Estado,

26 de janeiro de 2004 | 20h06

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