Luxemburgo se livra de suspensão e é punido com multa

Técnico do palmeiras terá de pagar R$ 50 mil por ofender árbitro e chefe da comissão de arbitragem

Redação

10 de março de 2008 | 19h35

O técnico do Palmeiras, Vanderlei Luxemburgo, foi absolvido nesta segunda-feira em julgamento no Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo. O que começou com o pedido de 120 dias de punição por sua expulsão contra o Rio Preto (1 a 1), há duas semanas, acabou em multa em dinheiro no valor de R$ 50 mil, que certamente o clube e não o técnico irá pagar. E o técnico poderá comandar o Palmeiras normalmente na seqüência do Campeonato Paulista. Veja também:  Palmeiras faz 5 a 2 no Bragantino em jogo polêmico Marcos: 'Dei um chute de leve, sem intenção de agredir'  Valdivia e Diego Souza desfalcam o Palmeiras contra a Ponte O treinador chegou às 17h31 na sede da Federação Paulista, um minuto atrasado. Levou consigo o diretor de futebol Savério Orlandi e o advogado Luiz Roberto Martins, que tinha tudo para desqualificar a acusação. Luxemburgo estava tenso. As veias da sua testa saltavam. Sabia que poderia ficar fora por longo período - como pediram dois dos cinco auditores com direito a voto: 120 dias de suspensão e mais multa. Na véspera, leu os autos. Estava sendo acusado nos artigos 188 e 189 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que pune o infrator por manifestar-se de forma desrespeitosa, ou ofensiva, contra Membros do Conselho Nacional de Esportes, e contra árbitros e auxiliares.  Sabia ainda que poderia receber punição de um a seis meses. Estava apavorado. Fora acusado por ter dito que sua expulsão naquela partida, pela 11ª rodada, havia sido armada. "Eu estava incomodando." Também tinha dito uma série de palavrões ao árbitro Paulo Roberto Ferreira. "Mas não teve a intenção de ofendê-lo. Foi um desabafo", explicou aos auditores seu advogado. Quando pediu a palavra, o mesmo advogado ficou de cabelos em pé. Luxemburgo chamou um dos auditores de "você" e repetiu os palavrões que havia dito no campo. Fez isso porque jurou dizer a verdade e queria deixar claro que, em momento algum, comentou que sua expulsão fora armada. Seu advogado descaracterizou até a súmula do juiz, que só não foi condenado porque não era réu. Luiz Martins tinha argumentos para tudo. Disse que o árbitro fez a súmula à máquina, quando o comum era ter feito à mão, no vestiário. "Ele certamente a fez em outro lugar e sofreu a influência dos comentários após a partida", disparou. O terceiro auditor também pediu 120 dias de punição a Luxemburgo. Os palmeirenses apelaram então para a testemunha, única na sessão: o repórter da rádio Jovem Pan Luís Carlos Quartarollo, que admitiu ter feito a pergunta ao treinador sofre a armação da FPF para sua expulsão. "Não é armação, é incomodação. Estou incomodando", registrou o áudio. A tensão foi baixando e veio o veredicto. "Luxemburgo será multado em R$ 50 mil." Causa ganha. "Fui julgado e vou pagar a multa. O que não pode é ter pré julgamentos. Mas continuarei falando que esse código disciplinar é restrito", disparou Vanderlei, que reclama da "falta de liberdade de expressão".

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