Luxemburgo tenta mudar imagem

O Wanderley Luxemburgo que depôs hoje na Câmara tinha pouca coisa de imagem pernóstica que há seis meses deixou sem respostas uma série de irregularidades que lhe foram atribuídas pelos integrantes da CPI do Futebol. Nesse segundo depoimento, ele teve a humildade de reconhecer que não estava "equilibrado emocionalmente" para dirigir a seleção olímpica no ano passado. "Eu devo ter contribuído para o insucesso da seleção brasileira", admitiu. O técnico chegou a revelar aos deputados o anseio de voltar a dirigir a seleção brasileira. Ele disse torcer pelo atual técnico Emérson Leão, mas assegurou que a principal meta de sua carreira é a de voltar a ocupar o lugar que foi obrigado a deixar depois de sofrer dois tipos de pressão: as denúncias de sua ex-procuradora Renata Alves e a derrota nas Olimpíadas.Quanto às denúncias, Luxemburgo mostrou que foi bem preparado pelos advogados para responder sobre elas, mas seus argumentos são facilmente desmontáveis. Ele disse, por exemplo, que a diferença de R$ 10 milhões entre o que movimentou e o declarou ao imposto de renda se deve ao fato de um mesmo valor ter sido contabilizado mais de uma vez.A CPI do Senado comprovou, quando de seu depoimento, que esse argumento não tem fundamentação. Na outra vez, ele não soube dizer se sua mulher tinha ou não conta no exterior. Agora, sim, ele confirmou que dona Josefa mantém um depósito de US$ 153 mil numa conta em Miami, mas se negou a explicar origem desse dinheiro, alegando "problemas de família".Luxemburgo se colocou como uma vítima de Renata, dizendo que ela o lesou nos negócios de leilão, antes de tentar extorqui-lo em R$ 1,5 milhão. Ele disse que está movendo 14 processos contra a moça. "É um pouco constrangedor para mim, que tem uma família que se espelha nos pais, ficar falando na Renata, que quase me causa problema num casamento de 28 anos", afirmou. O técnico reconheceu que sua mulher gasta muito em bingos, cerca de R$ 20 mil ao ano - segundo o deputado Doutor Rosinha (PT-PR). Ainda assim, disse brincando que ela é que deveria ter comparecido à CPI do Senado, porque é dona Josefa - a quem chamou de "Dona Encrenca" - que mexe com o seu dinheiro.

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