Arnd Wigmann/Reuters
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Mãe aposta que a carreira de Wendell Lira vai engrenar

Dona Edileuza conta que o filho pensou em desistir do futebol

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2016 | 02h01

A festa foi grande no Condomínio Turquesa, do Residencial Eldorado, em Goiânia, onde vive Maria Edileuza, a mãe de Wendell Lira. Parentes e amigos se reuniram no salão de festas para acompanhar a transmissão do evento da Fifa, e explodiram de alegria e emoção quando o ex-jogador japonês Nakata leu o nome do vencedor do prêmio Puskás.

"Ele merece muito, teve uma trajetória muito sofrida. Ficou um tempo desempregado, mas esse prêmio vai mudar tudo na vida dele", disse Edileuza, abraçada aos filhos Thalles e Paulo.

Wendell, que chegou a jogar na seleção brasileira sub-19 ao lado de Alexandre Pato num torneio no Japão em 2006, passou momentos difíceis na carreira. Em 2013, trabalhou colando etiquetas em tecidos. No início do ano passado, sem clube, estava ajudando na lanchonete da família para conseguir dinheiro para sustentar a filha Marcela.

Foi para a lanchonete que a diretoria do Goianésia ligou par lhe oferecer um contrato. "Eu tinha acabado de rezar por ele quando o telefone tocou", lembra a mãe.

O golaço diante do Atlético-GO não foi suficiente para garantir a renovação do seu contrato, e ao final do Campeonato Goiano ele estava sem emprego de novo. No segundo semestre surgiu o convite do Tombense, mas ficou pouco tempo no clube e logo estava desempregado outra vez.

COPA DO MUNDO 

Desde o início da transmissão da cerimônia, Edileuza demonstrava nervosismo. Tímida, ela tentava evitar as entrevistas que a todo momento eram solicitadas.

Durante as apresentações, cada vez que o nome do filho era citado, ela abria um sorriso orgulhoso. "Ele fez um gol lindo, e se o prêmio tiver de ser dele vai ser."

Os irmãos eram mais otimistas, porque sabiam da força das campanhas feitas pela internet para que Wendell ganhasse o prêmio. E vibraram assim que a primeira sílaba do nome do irmão saiu da boca de Nakata.

Nesse instante o clima no salão de festas passou a ser de vitória em final de Copa do Mundo. As pessoas se abraçavam, muitas choravam e algumas iniciaram um coro de "ele merece" em homenagem a Wendell.

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