Lucas Rivas/Estadão
Lucas Rivas/Estadão

Mãe hostilizada ao lado do filho no Gre-Nal relembra agressão: “Era uma fúria. Um transtorno total”

Tais Dias relembrou ao 'Estado' o episódio lamentável que aconteceu no último sábado dentro do estádio Beira-Rio

Lucas Rivas, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2019 | 18h50

Pela primeira vez, a torcedora do Grêmio Tais Dias, de 38 anos, agredida ao lado de uma criança durante o clássico Gre-Nal, no sábado, falou sobre o lamentável episódio ocorrido no estádio Beira-Rio. No final da partida, ela foi hostilizada por colorados, acompanhada do filho de apenas seis anos, após ter erguido uma camisa do Tricolor, em um setor destinado para torcida do Internacional. Em seguida, alguns colorados tentaram arrancar a camisa das mãos dela. As principais ofensas partiram de uma sócia colorada. “Era uma fúria. Era um transtorno total. Ela me chamava de sem vergonha, louca e outros palavrões”, lamenta Tais.

Ao Estado, a torcedora do Grêmio esclarece que tentou acompanhar a partida no setor destinado para a torcida mista, onde adversários acompanham lado a lado a partida. Porém, por não ser sócia, ela ingressou na torcida do Inter, com a camisa do clube do coração guardada na bolsa. A intenção era realizar um sonho do caçula de assistir ao clássico Gre-Nal. O marido dela e os outros dois filhos, até então eram todos colorados e estavam em um outro setor do Beira-Rio.

“Eu não quis provocar aquela situação. Foi um ato ingênuo de minha parte. O clima estava tão legal e agradável, que eu só quis comemorar com meu filho. Todo mundo estava se sentido super a vontade. Inclusive, em respeito ao Inter, eu esperei o final de jogo e mais 15 minutos para comemorar em frente a torcida gremista”, relembra. Naquela ocasião, Tais festejava com o filho perante a torcida gremista, que estava no anel superior estádio.

As cenas de agressão estamparam o noticiário esportivo negativamente e geraram traumas ao pequenino torcedor, que deixou o estádio aos prantos. “Lamentavelmente depois disso, meu filho Bernardo não quer mais ir ao Beira-Rio”, adverte. Tais Dias destaca, porém que em função da repercussão do caso, o Grêmio deu novo alento a família e o clube convidou os dois a visitar o CT onde a equipe treina .

“A gente aceitou um convite do Grêmio para ir no jogo da Libertadores, amanhã (quinta-feira), na Arena. A partir daí a gente vai dar um tempinho. O Grêmio foi o principal e primordial apoiador. O fato aconteceu no final do sábado e no domingo pela manhã, o presidente Romildo Bolzan Jr já estava me ligando oferecendo todo o apoio”, ressalta. Ela menciona ainda a solidariedade recebida nas redes sociais por diferentes colorados.

Nessa terça-feira, mãe e filho foram recebidos pelos atletas do Grêmio, no centro de treinamento, em Porto Alegre. Bernardo recebeu vários presentes e camisas do Tricolor, além de todo carinho de jogadores como Everton, Geromel, Maicon, Paulo Victor, Matheus Henrique e Jean Pyerre e do treinador Renato Gaúcho. “Tinha que ver o abraço do Renato no meu filho”, sorri Tais. Após o episódio, a comerciante revela ainda que o filho mais velho, de onze anos, deixou de ser colorado para torcer para o rival.

Sobre as desavenças com a colorada, a mamãe tricolor pretende logo virar está página. “A consciência dela já mostrou que ela estava errada. Se ela mudar já é grande coisa. Não tenho interesse de ter contato com ela. Cada um segue a sua vida”, pontua.

A colorada responsável pelos principais xingamentos foi suspensa, temporariamente, do quadro social do Inter. Em nota, o clube informou que, além da torcedora, outros dois envolvidos também foram denunciados à Comissão de Ética e Disciplina do Conselho Deliberativo. “Ressaltamos, mais uma vez, que o Clube do Povo não compactua com nenhum tipo de violência ou discriminação”, diz comunicado.

Além da Polícia Civil, o Ministério Público do Rio Grande do Sul também passou a investigar o caso a partir de vídeos que circularam em redes sociais e reportagens veiculadas na imprensa.

Relembre

No final do clássico Gre-Nal, Tais e Bernardo foram hostilizados, principalmente, por uma torcedora do Inter. A agressão ocorreu após ela ter levantado uma camisa do Grêmio, em um setor destinado para colorados. Nas imagens, o grupo ainda tenta arrancar a camisa das mãos dela. Funcionários do Inter precisaram intervir para retirar a mãe e a criança.

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