Leandro Lucena|Divulgação
Jogos envolvendo Catanduvense, São José, América e Rio Preto são investigados Leandro Lucena|Divulgação

Máfia das apostas fez oferta por whatsApp ao presidente da Catanduvense

Oferta para perder uma partida para o Comercial foi de R$ 50 mil

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2016 | 07h00

O presidente do Catanduvense, clube que participa da Terceira Divisão do Campeonato Paulista, Reginaldo Borges, foi procurado pelo menos duas vezes por emissários da máfia de apostas, com ofertas para que o time perdesse partidas em troca de dinheiro. Numa delas, chegou a receber uma mensagem em seu celular propondo pagar R$ 50 mil por uma derrota para o Comercial de Ribeirão Preto.

A proposta chegou por meio do whatsapp, contou Borges ao Estado. A pessoa deixou recado dizendo ter uma proposta naquele valor e que era para ele retornar se tivesse interesse. Ao ligar de volta, o dirigente ouviu a proposta. "Uma pessoa descobriu meu telefone, falou o nome, disse que era empresário e perguntou a situação do clube'', narrou. "Eu disse que era de muita  dificuldade e que estava à procura de um empresário para fazer a gestão do clube. Aí, ele fez a proposta. Respondi que esse tipo de coisa eu não fazia."

No recado inicial, Reginaldo Borges foi tratado por seu apelido (Alemão) pelo emissário. O assédio ocorreu em 5 de fevereiro e no dia seguinte o Cavanduvense jogou com o Comercial. Pela proposta, o time de Catanduva teria de perder por quatro ou mais gols de diferença. A partida terminou 2 a 2.  

Borges lembrou um outro assédio, ocorrido no ano passado. Este foi feito pessoalmente, por ocasião de um jogo do Catanduvense com o Rio Preto (1 a 1). A abordagem foi bem semelhante à da investida mais recente: "Falei que o clube estava passando por dificuldade e ele (o representante da máfia das apostas) falou: tenho uma proposta para te fazer. Pensei que era proposta decente, mas ele disse:  tem um dinheiro para (seu time) perder o jogo. Fiquei sem reação."

O dirigente relata que sentiu as pernas tremerem, tamanha a surpresa. "Devia ter dado um murro na cara dele, mas não consegui. Disse que não fazia isso, mas ele ficou insistindo." 

O esquema de manipulação de resultados no futebol paulista está sendo investigado desde outubro por meio de inquérito existente no Juizado Especial do Torcedor. A suspeita de tentativa de aliciamento em várias partidas levou à ação, que corre em sigilo de Justiça por determinação do juiz Ulisses Pascolatti Júnior.

São investigadas partidas envolvendo Catanduvense, São José, América e Rio Preto, entre outros clubes. E na última quarta-feira o promotor do Ministério Público de São Paulo, José Reinaldo Carneiro, pediu à polícia civil que investigue a tentativa de aliciamento na partida entre Grêmio Barueri e Rio Preto, realizada em 11 de fevereiro. Dois jogadores do clube da Grande São 

Paulo disseram que dirigentes receberam proposta para que o time perdesse por 4 a 0. Foi esse o resultado da partida, válida pelo Paulista da Segunda Divisão. 

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Sindicato visita clubes no interior para alertar sobre manipulação

Entidade visitou 33 times; seis relataram problemas

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2016 | 07h00

Representantes do Sindicato dos Atletas de São Paulo visitaram 33 clubes do Estado desde o ano passado para alertar jogadores, técnicos e dirigentes sobre a ação dos manipuladores de resultados. O cenário que encontraram foi alarmante: pelo menos seis clubes já haviam recebido recentemente propostas para “entregar” os jogos em troca de dinheiro.

“A maioria dos clubes tem medo de denunciar esses casos por causa das retaliações. Existe uma máfia de manipulação de resultados. É uma gangue pior que o narcotráfico”, afirma Mauro Costa, diretor de relacionamento da entidade.

Costa fez palestras em clubes de todas as divisões e compartilhou o que aprendeu no curso “Treinando o treinador”, ministrado pela Interpol no ano passado. Durante uma semana, um representante do sindicato de atletas de cada país esteve na Costa Rica para conhecer detalhes sobre a operação dos manipuladores no mundo todo e, principalmente, formas de combatê-las. O curso foi oferecido pela polícia internacional em parceria com Fifa e Fifpro (Sindicato Mundial dos Atletas).

Atletas e dirigentes são orientados a tomar três atitudes diante do manipulador: reconhecer, resistir e denunciar. Em geral, explica o diretor, eles tentam propostas indiretas, oferecendo presentes ou ajuda para a família. Depois, pedem um cartão amarelo. O manipulador faz gravações dessa proposta, aparentemente inocente, para “amarrar” o atleta. Em seguida, começa a chantagem para propostas mais graves, como modificar os resultados dos jogos.

O sindicato mostra o risco de prisão – a pena prevista é de dois a seis anos de acordo com o Estatuto do Torcedor e também o banimento do futebol de acordo com o Código Disciplinar da Fifa.

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