Máfia russa pode investir no Mônaco

Uma das mais prestigiosas equipes do futebol francês, a AS Mônaco, várias vezes campeã nacional, encontra-se numa posição extremamente delicada face a um impasse financeiro, mas também sob suspeita de estar sendo vendida a um grupo com relações muito próximas com a máfia russa, segundo revelam os serviços secretos da França. Sua dívida é da ordem de US$ 53 milhões e a única saída encontrada pelo presidente do clube há mais de 27 anos, Jean Louis Campora, seria encontrar um investidor interessado na sua compra com o aval do príncipe Rainier.Um protocolo de acordo chegou a ser assinado no dia 11 de dezembro, uma espécie de promessa de venda no valor de US$ 100 milhões com o grupo russo Fedcominvest, dirigido por Alexei Fedorichev.Neste sábado, durante uma reunião do Conselho de Administração do clube, o contrato definitivo seria assinado, mas o príncipe Rainier decidiu opor um veto formal à negociação, distribuindo um comunicado no qual afirma que a convenção negociada não apresentava as garantias necessárias, notadamente no plano financeiro. A empresa Fedcominvest é suspeita de "ser a vitrine legal do crime organizado na Europa Oriental", segundo afirmam os serviços de contra-espionagem franceses.A denúncia havia sido feita na véspera pelo jornal Le Monde e com base nas informações dos serviços especiais franceses, levantando suspeitas de a empresa praticar lavagem de dinheiro sujo. A ausência de transparência que envolve os meios do futebol profissional, venda e compra de jogadores, direitos de imagem, etc... , teria atraído o grupo russo, que já mantinha um contrato publicitário com o clube no valor de 2 milhões de euros anuais. Essa empresa já havia se envolvido em outras negociações nebulosas.Diante disso, a Direção Geral de Controle de Gestão dos clubes de futebol determinou medidas estritas em relação ao Mônaco, obrigado a limitar a massa salarial de seus jogadores e proibindo também o clube de efetuar novas contratações. Os homens que trabalhavam com Fedorichev também eram suspeitos de atividades irregulares. O investidor russo foi registrado no passado como funcionário de sua empresa com um salário de 3.500 francos, mas pagava o aluguel de um apartamento em Mônaco no valor de 72.000 mil francos (quase 11 mil euros), uma disparidade que chamou a atenção das autoridades.A direção da empresa russa está rejeitando todas essas suspeitas, explicando que seu objetivo era unicamente ajudar o Mônaco, que atravessa uma das mais graves crises financeiras de sua existência e, apesar do apoio do príncipe Rainier, não está sendo possível contorná-la. Fedorichev afirma que se trata de uma discriminação, atribuindo essas suspeitas ao fato de não ter um nome americanizado. Na verdade, os serviços secretos e o fisco francês têm se interessado muito sobre os investimentos de russos em toda a região da Costa Azul francesa e italiana, de Gênova a Cannes, passando por Nice e Mônaco, principalmente no setor imobiliário.Pela primeira vez, um grupo russo se interessa pela compra de uma das mais tradicionais equipes que disputam o Campeonato Francês, por onde passaram com muito êxito os brasileiros Ieso Amalfi no passado e, mais recentemente, o atacante Sonny Anderson. Tanto Rainier como seu filho, o príncipe Albert, estão muito irritados com o presidente do Mônaco, Jean Louis Campora, por ter negociado a venda do clube com uma empresa suspeita de ter relações com a máfia russa. Se já não bastassem as suspeitas que pesam sobre as atividades financeiras do principado, uma denúncia dessa natureza só poderia contribuir para deteriorar ainda mais a imagem externa de Mônaco.

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