Paulo Liebert/Estadão
Paulo Liebert/Estadão

Mafiosos citam nomes de João Havelange e Ricardo Teixeira

Em 2012, tribunal suíço tinha envolvido brasileiros em corrupção

Jamil Chade - Correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

28 de fevereiro de 2015 | 17h00

Para os criminosos citados no livro, a "verdadeira máfia" é a Fifa. O autor cita um e-mail entre o mafioso Wilson Perumal e o ex-chefe de segurança da Fifa e ex-funcionário da Interpol, Chris Eaton, em que o asiático condenado por manipular resultados ataca a entidade com sede em Zurique.

Em junho de 2012, um tribunal suíço tinha envolvido João Havelange, ex-presidente da Fifa, em um escândalo de corrupção. A corte alegava que o brasileiro havia embolsado US $ 1,53 milhão por meio de uma empresa de marketing falida (ISL). "Seu suposto parceiro no esquema, Ricardo Teixeira, ex-genro de Havelange, era o chefe do comitê brasileiro organizador da Copa do Mundo de 2014", lembra o livro.

Diante da condenação, Perumal escreveu um e-mail a Eaton. "A Fifa parece mais um empreendimento criminoso do que uma organização oficial", disse. "O sujo falando do mal lavado. Esses caras são criminosos que merecem ser condenados à prisão em vez de serem julgados por um comitê de ética, uma maneira muito conveniente de escapar da justiça", insistiu o criminoso. "Um grupo de bandidos tentando dar a volta ao mundo pregando contra a corrupção. A Fifa é uma piada", completou o e-mail.

Para o autor do livro, o comportamento da Fifa "era tão questionável que permitia que um arranjador condenado parecesse digno de confiança para criticá-la". Mais tarde, Perumal afirmaria: "a Fifa é como uma organização mafiosa". "Eles não respondem a ninguém".

O livro ainda revela que, em 2012, um dia depois de apresentar aos jornalistas em Zurique seu projeto sobre como controlar a manipulação de resultados, Eaton receberia uma ligação da direção da entidade para avisá-lo: as medidas não seriam implementadas por Joseph Blatter. Eaton pediu demissão na mesma semana.

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