Magrão não viaja para definir futuro

A certeza de que será negociado ainda esta semana é tão grande para Magrão que ele abriu mão de todos os holofotes da partida beneficente de amanhã em Madri, entre os amigos de Ronaldo e os amigos de Zidane. Nada de Espanha. O volante ficou no Litoral Norte de São Paulo. Preferiu surfar e esperar que os empresários do F.C. Moscou e Werder Bremen duelem para saber quem o levará do Palmeiras. Seu empresário Juan Figer é dono de 50% do seu passe. Ele prefere os alemães. Mas os russos estão dispostos a pagar US$ 5 milhões de uma vez só. O presidente Mustafá Contursi passou a tarde hoje em Porto Alegre em reunião do Clube dos 13. O dirigente já antecipou a amigos que se a proposta dos russos for efetivada, Magrão será vendido imediatamente. Acredita que no atual momento do futebol brasileiro só um ?irresponsável? viraria as costas a US$ 2,5 milhões por um volante. A postura do jogador de 26 anos é a mais clara possível. Ele quer sair do Palmeiras. Acredita que chegou a hora de pensar na sua vida. Magrão falou a repórteres que não aceita ser criticado porque tinha propostas, mas fez questão de continuar no Palmeiras em 2003 e disputar a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. Com o clube conseguindo a vaga na Libertadores, Magrão insiste que pode viajar para a Europa de consciência tranqüila. Magrão está desgostoso com tudo o que cerca a vida dos jogadores brasileiros no País. Ele ficou impressionado com o seqüestro da mãe de Robinho. O volante já teve um parente seu seqüestrado. Não quer correr o risco novamente. Ficou tão traumatizado que até prefere nem falar sobre o tema. A morte de Serginho, seu amigo do São Caetano, também o estimula a buscar países que tenham menos jogos que o Brasil. Muito ligado à família, Magrão acredita poder dar mais atenção à esposa e aos filhos Pedro e Matheus longe do País. A vontade em dar uma guinada em sua vida é tão grande que Magrão dispensará até a Seleção Brasileira e, teoricamente, disputar a Copa do Mundo de 2006. Ele tem plena consciência de que sairá do cenário, principalmente se for mesmo atuar na Rússia. O que abrirá chances a outros jogadores. Embora repita estar ligado emocionalmente com o Palmeiras, Magrão é um dos atletas mais irritados com o comportamento dos torcedores no Parque Antártica. Ele não se conforma com a impaciência e as vaias constantes.

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