Antônio Marcos/ CUFA
Antônio Marcos/ CUFA

Maior campeonato de futebol entre favelas do mundo desembarca em São Paulo

Cerimônia de lançamento contou com personalidades como Cafu, MV Bill, Dexter, Marta Sobral e o prefeito Bruno Covas

Catharina Obeid, O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2019 | 14h21

Uma novidade esportiva vai desembarcar em São Paulo neste ano de 2019. Depois de passar por outros doze Estados brasileiros, a Taça das Favelas chega à capital paulista a partir do dia 6 de abril. O maior campeonato de futebol do mundo entre favelas é uma criação da Central Única das Favelas (CUFA) e reunirá 32 seleções masculinas e outras 16 femininas representando diversas comunidades, que podem se inscrever no site do torneio até o dia 20 de fevereiro.

Apresentada pelo rappers MV Bill e Nega Gizza, a cerimônia de lançamento dessa nova etapa da Taça das Favelas revelou na manhã desta quinta-feira, no Museu do Futebol, em São Paulo, o formato da competição. A primeira etapa é a realização de uma grande peneira nos dias 16 e 17 de março, quando mais de 20 mil atletas de 12 a 17 anos, sendo 400 jovens representando cada uma das comunidades, vão tentar concorrer a uma vaga na edição 2019 do torneio.

Marcivan Barreto, líder social em Heliópolis, conta que já conversou com mais de 300 meninos e meninas interessados em participar do projeto. Para ele, é crucial a existência de projetos como esse que possam chegar aos jovens dessa idade. "É exatamente o momento em que os jovens estão entrando no tráfico", analisa. "Ter uma oportunidade como essa e pessoas como o Cafu, a Marta, o MV Bill, Rappin Hood e Dexter envolvidos no projeto aproxima os jovens e fazem eles se interessar, facilitando nosso trabalho de chegar neles, nas biqueiras, e fazer um convite como esse", explica.

Depois, no dia 30 de março, os jogadores selecionados junto de seus treinadores vão passar pelo Congresso Técnico, onde receberão orientações de regulamento e arbitragem. No dia seguinte, os participantes vão receber um Workshop Social. A bola vai começar a rolar nos gramados paulistas no dia 6 de abril. 

Cafu, capitão do pentacampeonato da seleção brasileira, foi anunciado como embaixador nacional do projeto. O ex-jogador salientou que ele mesmo saiu de uma favela e, por isso, é um entusiasta de que o futebol seja usado como ferramenta de inclusão e formação social. "O que as crianças de favela precisam? Uma oportunidade. Você dá isso e as transforma num cidadão. Eu tive essa chance e saí do Jardim Irene. Então, que como eu, outros possam sair também", ressalta.

O rapper Dexter e a ex-pivô da seleção brasileira de basquete Marta Sobral foram coroados com o título de representantes do torneio na cidade de São Paulo. "Futebol, assim como hip hop, também salva vidas e é por isso eu estou aqui", resume o músico. Marta, por sua vez, optou por destacar o espaço dado para as meninas. "Fui Secretária de Esporte de Santo André e sei que pessoas de várzea sempre tiveram dificuldade de conseguir um espaço no mínimo adequado para jogar, isso falando dos meninos, imagina então para nós, mulheres", compara a  medalhista olímpica em Atlanta em 1996 e Sydney em 2000.

Outra personalidade que veio acompanhar a divulgação do evento foi o prefeito de São Paulo. Acompanhado do ex-ministro e agora secretário de cultura Sérgio de Sá Leitão e de João Faria, secretário municipal de esportes, Bruno Covas agradeceu o projeto em nome de toda a população e comentou a ajuda que a prefeitura vai proporcionar ao campeonato. 

"Essa iniciativa, é muito mais que dar uma opção de lazer, o esporte é uma perspectiva de futuro, ele integra as comunidades, os jovens e ainda ajuda a aumentar a autoestima. É por isso que a prefeitura não poderia deixar de ser parceira de um projeto como esse, então nós vamos ajudar com espaços, com arbitragem, com ambulância  e como for preciso", afirma. 

As primeiras equipes campeãs da Taça das Favelas São Paulo, tanto feminina quanto masculina, serão conhecidas no dia 1º de junho, dia das grandes finais, que serão transmitidas ao vivo pelo SporTV.

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