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Antero Greco
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Mais bola, menos choro

Times brasileiros precisam parar de arrumar desculpas em eliminações internacionais

O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2017 | 04h00

O tempo passa, o futebol se modifica, mas certas reações permanecem inalteradas. Ao menos para integrantes de times daqui. Por exemplo: reclamações contra arbitragens e a “catimba” de estrangeiros. No meio da semana, Santos e Corinthians foram eliminados de competições internacionais e as declarações de jogadores e treinadores coincidiram nesse aspecto. Caíram menos por erros próprios e mais por suposta combinação de fatores extracampo.

Santistas mostraram bolinha murcha diante do limitado Barcelona, tomaram de 1 a 0 em casa, depois da vantagem de 1 a 1 em Guayaquil, e viram desfazer-se o sonho do tetra da Libertadores. A principal explicação do técnico Levir Culpi? A “malandragem” dos equatorianos. Os adversários, na avaliação dele, souberam retardar o jogo, enquanto seus atletas se revelaram imaturos ao não se livrarem da armadilha. Dos raros lances de gol criados pela equipe... quase nada.

O Corinthians praticamente não incomodou o goleiro do Racing, no empate por 0 a 0 pelas oitavas de final da Sul-Americana, em Buenos Aires. Comportou-se de forma contida na ousadia e esbanjou nervosismo, a ponto de ver Rodriguinho expulso depois de ficar no gramado por uns três minutos e de perder Jô por dois amarelos.

Fábio Carille lamentou falta de critérios da arbitragem, isentou os comandados dele de culpa nos lances duros e considerou bom o desempenho. Linha de raciocínio semelhante seguida por dirigentes e por Fagner, que largou no ar dúvida em torno da intenção do juiz e ainda ressaltou que ficou feliz porque a equipe não perdeu. Como assim?! Não perdeu, mas parou no meio do caminho. Como líder do Brasileiro e fortíssima candidata ao título, se esperava uma boa dose de atrevimento.

Os dois episódios não são isolados. Ao contrário: repetem-se com sonolenta regularidade em campeonatos contra gringos dos quais não conseguem avançar. Em geral, retratam os vizinhos como vilões, desleais, espertalhões, cheios de artimanhas. Ganham menos por méritos e mais por subterfúgios ilícitos. Nós, ao contrário, somos uns molengões, que nos deixamos enredar. Além de sermos tripudiados por árbitros no mínimo antipáticos. E, sabe como é?, “eles falam a mesma língua, nós falamos português”. Etc. etc.

Vá lá: há casos de claro prejuízo de times daqui. Fato. Assim como se podem enumerar decisões que os beneficiaram. Não foram poucas. Mão dupla, portanto, nesse terreno pantanoso.

Pessoal, nas vezes em que os brasileiros se preparam, tiveram times competitivos, eficientes e objetivos, as vitórias e conquistas surgiram. Com ou sem dificuldades. Então, para fechar a conversa: o negócio é mais futebol e menos choro. Receita simples e indolor.

MORUMBI QUENTE

Um programa dominical interessante, para quem acordar cedo, está marcado para o Morumbi, onde o São Paulo recebe o Corinthians. O “Majestoso” por definição sempre chama a atenção. Desta vez, tem peso redobrado, no mínimo para um dos lados – o tricolor.

A turma de Dorival Júnior continua na zona de rebaixamento, embora tenha respirado aliviada com os 2 a 1 sobre o Vitória, fora de casa, no domingo passado. Sinal de que a recuperação é viável e o fantasma do rebaixamento, não tão amedrontador. Mas, para que a confiança aumente, necessário bater o rival.

É isso: a pressão, a esperança, o apoio nas arquibancadas (torcida única) e a cobrança por bom resultado – tudo isso favorece e reforça a responsabilidade são-paulina. Daí o mistério do treinador em torno da escalação. Uma pista, entretanto, foi dada: partirá para cima. Ao Corinthians, mesmo a derrota (seria a quarta em seis rodadas) não altera grande coisa a vantagem na ponta.

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