Mais policiais que torcida em Campinas

Sobrou polícia e faltou torcedor do São Paulo no jogo desta quarta-feira no Estádio Moisés Lucarelli, em Campinas. As forças de segurança levaram a sério as juras de vingança de integrantes da Torcida Jovem ponte-pretana à Torcida Independente do São Paulo, depois da morte de um dos seus integrantes - Anderson Tomás, durante uma briga - e armaram um esquema de guerra para evitar novos confrontos. Os dois ônibus da uniformizada são-paulina foram escoltados por um esquema cinematográfico de uma dúzia de carros e quatro motos, entre Rota e Polícia Rodoviária, que chegou a deixar lento o trânsito na Rodovia Anhangüera.Antes da partida para o interior, os torcedores da Independente tentaram mostrar naturalidade, mas o clima de tensão era evidente. Além da redução expressiva do número de pessoas que participaram da excursão para ver o jogo contra a Ponte Preta, somente os integrantes de porte físico privilegiado embarcaram nos ônibus. Nada de mulheres ou crianças. E a concentração, na sede da entidade, localizada no centro da Capital, foi regada à bebida alcoólica, disfarçada em garrafas de refrigerante. Na hora do embarque, alguns torcedores se mostraram hostis com a presença da imprensa que pretendia acompanhá-los, mas a presença da polícia e de alguns colegas mais serenos impediu qualquer incidente.Na estrada, os torcedores passaram por revista e os carros considerados suspeitos eram imediatamente afastados pela polícia, o que deixou o trânsito na Anhanguera mais lento. O comandante da escolta da Rota, major José Luís Navarro, admitiu excesso no esquema, mas comemorou o sucesso da operação de acompanhamento dos torcedores que vinham da Capital, que em Campinas contou com a ajuda extra dos cerca de 400 homens da PM, cavalaria inclusive, para garantir a segurança nas imediações do Moisés Lucarelli. A área de desembarque dos são-paulinos foi totalmente isolada. "Na verdade, a orientação inicial que recebemos de nossos superiores era de que seis ônibus iriam para Campinas, assim o efetivo de oito carros e 28 policiais seria adequado", explicou.No estádio, o isolamento das torcidas foi total. Quatro fileiras de policiais separavam são-paulinos de ponte-pretanos, que pela distância não tiveram nem a oportunidade de trocar ofensas. E o jogo morno em campo contribuiu para o controle da situação.

Agencia Estado,

19 de outubro de 2005 | 23h17

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.