Mancha e TUP estão proibidas, diz PM

A Rua Turiaçu foi cenário da briga mais surrealista da história do futebol paulista. Das 14h40 até 15h10, cerca de 1.400 torcedores - vários deles com os rostos pintados para não ser identificados - travaram uma batalha. Armados com paus, pedras, pedaços de cano e muito ódio, torcedores do Palmeiras enfrentavam... torcedores do Palmeiras. Foram 30 minutos de selvageria. Membros da Mancha (Alvi) Verde e da Torcida Uniformizada do Palmeiras (TUP) tentavam se matar em frente ao Parque Antártica. Foi um encontro marcado antecipadamente.Corriam desviando-se dos torcedores santistas. Pais assustados, às centenas, tentavam proteger seus filhos se encolhendo atrás dos postes de iluminação ou invadindo, desesperados, os bares da rua. Barracas de sanduíches foram viradas.Os mais de 300 soldados da Polícia Militar foram insuficientes. Logo o Batalhão de Choque chegou. Helicópteros da polícia e bombas de efeito moral tiveram de ser usados. No cenário aterrador, 62 presos. Vários se feriram e dois foram levados aos hospitais, com cortes na cabeça.Banidas - Com o polegar da mão esquerda sangrando por causa de uma pedrada, o chefe do policiamento nos estádios de São Paulo, o coronel Marcos Marinho de Moura, subcomandante do 2.º Batalhão de Choque, decretava: as torcidas uniformizadas do Palmeiras estão banidas. "Acabou! Sou uma pessoa tolerante, mas passei o meu limite hoje. Nunca vi um absurdo desses", desabafou. "Enquanto eu for o comandante, Mancha e TUP não entram mais nos estádios. Podem mudar nome, procurar advogados. Não entram e acabou."Marinho não conseguia esconder a irritação. "Chega de espalhar medo nos estádios. Chega! Os palmeirenses procuraram agredir palmeirenses. Com pedra, pau, o que tivessem na mão. Agimos com toda a energia, mas eles não queriam parar de brigar." "Vou fazer um pedido formal ao Ministério Público. Pedido e informação. O pedido é para fechar, acabar de vez com essas torcidas do Palmeiras. O aviso é que, comigo, elas não vão entrar mais no estádio. Não quero camisa, faixa, nada. Nada", repetiu.O chefe do policiamento explica a confusão dizendo se tratar de uma rixa política. "O motivo é a eleição no clube (para o Conselho Deliberativo). Só que não me interessa. Eu chamei os comandantes das duas torcidas para conversar e eles me juraram que não haveria briga. Acreditei pela última vez."Sua paciência acabou mesmo. "Não quero nem ver mais esses caras. O que aconteceu hoje na Rua Turiaçu serve como um marco nesta nossa relação com as torcidas uniformizadas. Acabou a tolerância", disse o policial, estendendo a bronca: "As torcidas dos outros times que se preparem. Acabou a farra em São Paulo. Isso eu prometo".

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