Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Mané Garrincha impressiona pela beleza e alto custo

Arquitetura da arena harmoniza com as linhas de Brasília, mas o gasto de R$ 1,2 bilhão é alvo de severas críticas

Almir Leite - Enviado Especial, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2013 | 07h16

BRASÍLIA - O mais caro estádio da Copa das Confederações, e por extensão da Copa do Mundo. É bem provável que o Mané Garrincha, que a Fifa insiste em chamar de Estádio Nacional, fique conhecido desta maneira. Isso porque sua reforma - na realidade reconstrução, pois a estrutura inaugurada em 1974 foi colocada totalmente abaixo - torrou R$ 1.202.466.858,78, de acordo com relatório divulgado ontem pelo deputado federal Romário, um dos maiores críticos da gastança para a Copa.

É um valor conservador. O próprio governo do Distrito Federal admite que o gasto atingiu R$ 1,2 bilhão. Mas publicação recente no Diário Oficial do Distrito Federal eleva os custos para R$ 1,582 bi, pois ainda serão necessárias obras no entorno da arena. Somente com paisagismo e urbanização o valor a ser investido chegará a R$ 360 mil.

Mas não se pode negar que aquele velho e acanhado Mané Garrincha se tornou um estádio belíssimo e funcional. Suas dependências são amplas - para delegações, convidados e imprensa. São 12 vestiários, 50 rampas de acesso (interno e externo), há espaço para 40 bares, 14 lanchonetes e dois restaurantes.

De fora, o novo Mané impressiona. Com suas 288 pilastras de mais de 36 metros de altura cada harmoniza-se com a arquitetura da cidade, sobretudo as obras de Oscar Niemeyer.

Brasília não tem a menor tradição no futebol e o Mané Garrincha, com seus 71 mil lugares (70.464 segundo medição da Fifa), é considerado um dos potenciais elefantes brancos pós-Copa do País. O governo do Distrito Federal discorda e garante que o conceito multiuso será bem explorado, com shows nacionais e internacionais, convenções e feiras que ocuparão o espaço regularmente.

Mas deixou de lado a promessa de reduzir sua capacidade para 40 mil espectadores caso o Mané Garrincha não recebesse a abertura da Copa de 2014. Ainda há muita polêmica sobre a utilidade do estádio que inicialmente estava orçado em R$ 745,3 milhões e que teve ao longo da construção vários aditivos e sofreu marcação cerrada do Tribunal de Contas do Distrito Federal - o órgão constatou, por exemplo, sobrepreço de R$ 72 milhões nos custos para a instalação da cobertura.

Problemas. Ao longo das obras, o Mané Garrincha sofreu vários contratempos. Desde uma implosão malfeita de parte da estrutura que obrigou os operários a usarem marretas para quebrarem os blocos de concreto, até a morte de um trabalhador que caiu de uma laje de uma altura de 30 metros em junho passado.

Como a maioria dos outros estádios, a entrega da arena também atrasou. O prazo era dezembro de 2012, mas a obra acabou sendo entregue apenas em 18 de maio deste ano. E nos eventos-teste foram registrados problemas de trânsito no primeiro e de acesso ao estádio com filas quilométricas no segundo, o jogo entre Flamengo e Santos, pelo Brasileiro. / COLABOROU EDUARDO BRESCIANI

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