Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Mané Garrincha vira sede de secretarias do governo

Um dos estádios da Copa custou R$ 1,7 bilhão aos cofres públicos 

O Estado de S. Paulo

30 Março 2015 | 20h40

O estádio Mané Garrincha, em Brasília, ganhou um uso totalmente diferente da realização de jogos de futebol. Encurralado em uma crise econômica e fiscal, o governo do Distrito Federal decidiu usar a arena – pouco demandada para eventos esportivos – para abrigar algumas secretarias e, assim, economizar com aluguel.

O estádio custou R$ 1,7 bilhão aos cofres públicos e se tornará o local de trabalho de cerca de 400 servidores públicos da capital federal empregados nas secretarias da Economia, do Desenvolvimento Humano e do Esporte. Hoje, esses órgãos ocupam um prédio alugado na Asa Norte, região nobre da capital. O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) espera economizar R$ 10,5 milhões ao ano.

As centenas de funcionários públicos não devem atrapalhar o cotidiano futebolístico no Mané Garrincha. Até agora, foi anunciada apenas a realização de uma partida do Campeonato Brasileiro no local. Está agendado para a primeira rodada, no dia 10 de maio, o jogo entre Cruzeiro e Corinthians. O time mineiro foi punido Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) com a perda de um mando de campo e decidiu levar a partida para Brasília, mas já negocia a transferência do jogo para outro local. A confronto deverá ser na Arena Pantanal, em Cuiabá. Para jogar no Mato Grosso, o Cruzeiro deve ganhar passagens aéreas, hospedagem e mais um valor a ser pago por investidores, que arrecadarão com a organização da partida, vantagens que o Distrito Federal não ofereceu.


Por enquanto, a única partida relevante confirmada no Mané Garrincha é a final do campeonato local, chamado de “Candangão”. O jogo deve acontecer no fim de abril. Na Copa do Brasil, também há poucas chances de uso do estádio. O Brasília Futebol Clube desistiu de mandar jogos na arena. O gerente de futebol da equipe, Regis Carvalho, afirma que o custo é proibitivo. Segundo o dirigente, seria preciso desembolsar ao menos R$ 80 mil – o que inclui a taxa de uso da arquibancada inferior (em torno de R$ 4 mil) e gastos com equipamentos obrigatórios, como limpeza, segurança, bilheterias e ambulâncias.

O custo de manutenção do Mané Garrincha gira em torno de R$ 600 mil por mês, informou a secretaria de Turismo do Distrito Federal. “São gastos com energia, limpeza, reposição de peças, pequenos reparos, entre outros serviços, gerados pelo uso contínuo do espaço”, disse a secretaria. Em nota, o órgão afirmou que, desde sua inauguração, em maio de 2013, o estádio recebeu 55 jogos de futebol e 39 eventos diversos, como “shows, eventos institucionais e culturais”. Depois da Copa de 2014, foram 18 jogos e 28 eventos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.