Manu Fernandez/AP
Manu Fernandez/AP

Mano afirma que correu riscos e não se arrepende de testes

Técnico admite que deixou resultados em segundo plano para renovar seleção. 'Entendi que deveria seguir nessa direção, mesmo correndo riscos'

O Estado de S. Paulo

29 de abril de 2013 | 23h31

SÃO PAULO - Depois de cinco meses em silêncio, o ex-técnico da seleção brasileira Mano Menezes voltou a se manifestar publicamente na noite desta segunda-feira e diz não ter se arrependido do trabalho que fez no comando da equipe nacional.

 

Demitido no final de novembro do ano passado e substituído por Luiz Felipe Scolari, o treinador compareceu à festa de 10 anos do programa Bem Amigos, do SporTV, e disse que sua maior ambição era colocar o Brasil de novo como protagonista do futebol mundial.

 

Mano diz ter tido grande preocupação no período em que esteve à frente da seleção em testar jogadores – convocou mais de 100 – pensando em formar um grupo para a Copa de 2014. Com isso, segundo ele, deixou os resultados em segundo plano.

 

"Trabalhei durante dois anos e meio nesta direção e durante algumas passagens fui advertido por amigos que talvez não devesse continuar perseguindo isso", disse Mano. "Mas entendi que deveria persistir nessa direção, mesmo correndo todos os riscos."

 

Para Mano Menezes, o grande dilema do futebol brasileiro é conseguir achar um ponto de equilíbrio entre o futebol que se joga internamente e o que se pratica na Europa. "Quando técnico da seleção, muitas vezes conversei com o (Carlos Alberto) Parreira, a quem admiro e sempre chegamos à conclusão de falta para a gente intensidade de jogo", afirmou o treinador.

 

Ele usou como comparação as partidas disputadas no futebol brasileiro e no futebol europeu. "Quando você vê um jogo do Brasil e logo em seguida assiste a um da Europa, tem a impressão de que é outro jogo."

 

O ex-treinador da seleção pondera, porém, que o futebol brasileiro não deve copiar tudo que se faz na Europa. "Não é nossa característica, nossa essência, mas aquilo que estamos fazendo aqui não é suficiente para nos colocar em condição de ganhar uma Copa do Mundo."

 

Parreira, atual coordenador técnico da seleção, lembrou que Mano não herdou uma base vinda da Copa de 2010, e que esse fato dificultou muito o trabalho do ex-treinador. Mas, ao contrário do antecessor de Felipão, entende que o Brasil tem, sim, condições de ganhar o Mundo. O campeão do mundo em 1994, no entanto, concordou com Mano sobre não copiar o futebol europeu.

 

"Nós temos qualidade para ganhar a Copa, mas precisamos impor nosso estilo e nunca copiar os europeus", disse Parreira. "A gente não vai fazer nunca o que eles fizeram (jogar em alta velocidade, por exemplo) e eles não vão jogar nunca com o toque e a habilidade que nós temos."

 

O coordenador da seleção garantiu que Felipão vai montar um time competitivo e que, na Copa das Confederações, o treinador terá tempo para treinar a equipe e poder definir uma maneira de a seleção jogar. Reconhece que os resultados atuais não são dos melhores, mas mantém o otimismo.

 

"O momento é oportuno para corrigir as coisas. Tem oito partidas amistosas até o final do ano (no segundo semestre) e a gente pode dar um rumo diferente ao time caso seja necessário. Mas temos que impor um maneira, um estilo de jogar, pois é inimaginável, impensável para a gente que o Brasil não ganhe a Copa", afirmou.

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