Leonardo Benassatto/Reuters
Leonardo Benassatto/Reuters

Mano Menezes vira o primeiro bicampeão consecutivo da Copa do Brasil

'Acho que agora as pessoas vão ser mais tolerantes com o jeito defensivo que eu gosto', afirma o técnico

Renan Cacioli, Estadão Conteúdo

18 Outubro 2018 | 00h06

Conquistar a Copa do Brasil não é novidade para Mano Menezes, que graças ao título do Cruzeiro sobre o Corinthians, nesta quarta-feira, chegou à sua terceira taça - fora campeão também em 2017, pelo próprio clube mineiro, e 2009, dirigindo o Corinthians. Com a conquista, Mano obteve feito inédito. Em 30 anos de existência do torneio, ele se tornou o primeiro treinador a ganhar o título por dois anos consecutivos.

Até hoje, 23 técnicos sentiram o gostinho de faturar a segunda competição mais importante do País. Mano só não venceu mais edições do que Luiz Felipe Scolari, campeão em quatro ocasiões. Em dois anos, ajudou o Cruzeiro a desbancar o Grêmio como o dono de mais troféus da Copa: agora são seis dos mineiros contra cinco dos gaúchos.

"Final não são feitas para se jogar, são feitas para ganhar. Acho que agora as pessoas vão ser mais tolerantes com o jeito defensivo que eu gosto. Não acredito individualmente em técnico, ele é uma pessoa. E as pessoas acreditaram e por isso agora somos os únicos bi da Copa do Brasil, eu e o Cruzeiro", afirmou.

A conexão dele com a equipe de Belo Horizonte, por sinal, é rara. Nenhum outro clube da elite tem em seu comando técnico alguém há tanto tempo no cargo. Já são mais de dois anos.

A segunda passagem começou no dia 26 de julho de 2016. Ao todo, aí somados os seus dois trabalhos no Cruzeiro, Mano comandou o time em 183 partidas, o que o deixa a apenas quatro de Ênio Andrade, sexto treinador que mais vezes dirigiu o clube azul de Minas Gerais na história. Com os 10 jogos restantes no Campeonato Brasileiro, ele vai ultrapassar Matturio Fabbi, o quinto na lista, com 190. E seu contrato atual só termina ao final de 2019.

Na Toca da Raposa, Mano fez o que mais gosta: reestruturou e montou um time à sua maneira. Desde o ano passado, foi filtrando os nomes com os quais gostaria ou não de trabalhar. Deu aval a negociações como a que envolveu a volta de Egídio, muito criticado em sua trajetória no Palmeiras. Bancou o argentino Barcos entre os titulares, apesar de o atacante não viver seu melhor momento na carreira. Fez a torcida e a diretoria acreditarem que era, sim, possível escalar Thiago Neves e Arrascaeta juntos.

Resumo da ópera: Egídio virou peça fundamental da equipe e parece nunca ter vestido outra camisa que não a celeste na carreira. Barcos marcou os gols da semifinal contra o Palmeiras que classificaram os mineiros à grande decisão. Thiago Neves e Arrascaeta são os artilheiros da temporada, com 13 e 12 gols, respectivamente.

A última missão em 2018 será conduzir o clube a um término digno de Brasileirão - de que o treinador abertamente abriu mão quando o funil da temporada mostrou ser inviável levar as duas competições. Com 37 pontos e uma partida a menos que os concorrentes, os mineiros se veem a confortáveis seis pontos de distância da zona de rebaixamento.

Com três títulos de Copa do Brasil e dois de Série B no currículo, falta agora ao comandante ganhar a Série A e a Copa Libertadores para completar uma ficha recheada de bons serviços prestados e curta passagem pela seleção brasileira. Por que não sonhar com tudo isso no futuro?

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.