Mano segue no Corinthians, mas sonha com Europa e seleção

Técnico e procurador traçam estratégia para alçar carreira no exterior: meta é seguir os passos de Felipão

Marcel Rizzo - Jornal da Tarde,

23 de setembro de 2008 | 09h53

Quando o vice-presidente de futebol do Corinthians, Mário Gobbi, disse na última quinta-feira que Mano Menezes e o empresário Carlos Leite têm projetos em comum, ele não quis dizer nada sobre jogadores. O plano casado do técnico e de seu procurador é sobre a carreira de Mano e mira alto: treinar times de ponta na Europa. Depois, seleções de grande porte e, por que não, a seleção brasileira - qualquer semelhança com Felipão não é mera coincidência.Veja também: Dê seu palpite no Bolão Vip do Limão Lesão de Carlos Alberto deve permitir estréia de Cristian Corinthians inicia venda de espaços na camisa a torcedores Duelo entre São Caetano e Corinthians será em CampinasEssa é a explicação que o presidente Andrés Sanchez e Gobbi deram nos bastidores do clube a aliados que cobraram o empréstimo feito por Leite para comprar dois jogadores - Eduardo Ramos e Saci - e o motivo de o empresário ter socorrido o clube na aquisição de 30% do meia Elias. O procurador quer um Corinthians forte para que Mano seja alçado à lista de grandes treinadores brasileiros. O que o empresário ganha? Carlos Leite fatura sobre os rendimentos de Mano. Há dois tipos de contrato entre técnico e procurador: o agente recebe parte do salário (que pode chegar a 10%) ou tem direito às luvas do cliente - em alguns casos até o valor integral. Mano, por exemplo, tem salário de R$ 230 mil e recebeu R$ 1 milhão pelo contrato (parcelada em duas vezes). Também é interessante ao procurador ter Mano Menezes em clubes fora do país para abrir portas e conseguir procuração de atletas que atuam no exterior. "O projeto de qualquer jogador e qualquer treinador é subir na carreira. Do Mano não é diferente. Mas o momento é subir com o Corinthians. Esse é o plano", disse Carlos Leite. Ele não quis tratar muito do assunto. "Prefiro não falar no momento por causa do que falaram (do empréstimo). O foco não pode ser o Mano." Mano Menezes e Carlos Leite fecharam contrato em dezembro. Foi quando acabou desenhado um plano de carreira para o técnico. E isto passava por trabalhar em São Paulo. Ao deixar o Grêmio, Mano recebeu proposta tentadora do Cruzeiro, que disputaria a Libertadores. Preferiu o Corinthians, que jogaria a Série B.  O motivo o próprio Mano explicou no dia em que assumiu. "O Corinthians tem o maior projeto do futebol brasileiro em 2008". Leite e o técnico pensaram na mídia que o time teria na segunda divisão. E acertaram em cheio. Tanto que o nome de Mano Menezes apareceu na Europa antes do que eles esperavam. Em junho, de saída da seleção de Portugal, Luiz Felipe Scolari sugeriu o nome do corintiano ao presidente da Federação Portuguesa, Gilberto Madaíl. O próprio Mano admitiu que ainda era cedo. Mas a aposta no Corinthians foi acertada. O plano imediato do treinador é permanecer no Parque São Jorge. Um contrato de dois anos é bem-vindo, desde que tenha cláusula de que possa sair em caso de oferta do exterior. O objetivo está desenhado: ser campeão da Libertadores de 2010, no ano do centenário do clube. A mídia que isso daria não pode ser medida hoje.

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