Manobra pode trazer Havelange à CBF

Dirigentes de federações estaduais e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estão articulando a substituição de Ricardo Teixeira por seu ex-sogro João Havelange na presidêncida da entidade, após a votação do relatório final da CPI do Senado, dia 4. Os principais defensores de Teixeira não acreditam que a bancada da bola, formada por senadores ligados à CBF, consigam brecar o texto redigido pelo colega Geraldo Althoff (PFL-SC). O sentimento entre os aliados de Teixeira é de que seu nome constará da lista de indiciáveis que será enviada ao Ministério Público Federal, com a virtual aprovação do relatório. Dessa forma, eles avaliam, o presidente licenciado da CBF não teria condições de continuar ocupando o cargo. Para dar o primeiro passo no sentido de buscar o apoio de Havelange, representantes de seis federações estaduais encontraram-se nesta quarta-feira com o ex-presidente da Fifa. Primeiro, num almoço num restaurante da zona sul do Rio. Depois, em seu escritório, no centro da cidade, a uma quadra do prédio da CBF. O presidente da Federação do Paraná, Onaireves Moura, deixou escapar sua opinião a respeito da hipótese. "O João Havelange está em forma para assumir qualquer cargo", declarou. E acrescentou em seguida: "Soube que ele nadou hoje 12 quilômetros." Consenso - Havelange, de 85 anos, não quis dar entrevista. Na eventualidade de ocupar a presidência da CBF, ele também inibiria suposta intenção da Fifa de intervir no futebol brasileiro, desfiliando a CBF. Os rumores de que isso poderia vir a acontecer são grandes entre os dirigentes da entidade comandada por Teixeira. Isso se daria, entre outras coisas, por causa da freqüente cessão de passe livre da Justiça do Trabalho do Brasil a atletas, o que contraria o Estatuto da Fifa. Para o presidente da Federação Gaúcha, Emydio Perondi, também presente nas duas reuniões, Havelange disse que não aceitaria a responsabilidade. Mas Weber Magalhães, da Federação de Brasília, deu outra pista: "O doutor Havelange é sempre um nome de consenso."

Agencia Estado,

28 Novembro 2001 | 19h40

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