Maracanã pode usar energia solar

Em tempos de racionamento, o Maracanã pode se tornar o primeiro estádio da América Latina a usar energia solar para a iluminação de jogos noturnos. A inspiração veio de uma experiência semelhante no Japão, país que deve ser visitado pelo presidente da Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (Suderj), Francisco de Carvalho. "O ideal é que essa tecnologia possa ser adotada em todos os estádios do Brasil", afirma. A energia solar também é usada para a prática de esportes nos EUA, Europa e Austrália. Com a crise energética, os jogos noturnos foram proibidos em diversos Estados, incluindo o Rio, e as partidas passaram a ser disputadas à tarde. Até então, o Maracanã recebia, por mês, a média de 12 jogos durante a noite, ao custo de R$ 20 mil. Um investimento estimado por Carvalho entre R$ 900 mil e R$ 1 milhão praticamente acabaria com essa despesa e se pagaria em cerca de quatro anos, sendo que a vida útil das placas fotovoltáicas (que transformam luz do sol em energia elétrica) pode superar 50 anos. Segundo o engenheiro Ruberval Baldini, especialista em energia solar e diretor da Associação Brasileira das Empresas de Energia Renovável, o Brasil só perde para o deserto do Saara no que se refere a potencial solar. "Por alguma razão, o Brasil ainda não teve um programa de estímulo ao uso de energia solar", observa o engenheiro. Ele conta que nos EUA, durante o governo Jimmy Carter (fim dos anos 70), havia descontos no Imposto de Renda para quem investisse em sistemas de produção de energia solar. Um dos grandes interessados na volta dos jogos noturnos é a Rede Globo, que apresentou Baldini ao presidente da Suderj. Eles se encontraram no Maracanã na última quarta-feira. Em fase inicial de estudos, o projeto será submetido ao governador Anthony Garotinho. "Há diversos nuances técnicos a serem observados e ainda estamos conversando", disse o engenheiro.

Agencia Estado,

19 de junho de 2001 | 17h53

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