Maracanã será reformado de novo após realização da Copa do Mundo de 2014

Consórcio de Eike Batista, que venceu a licitação de concessão do estádio, quer novas obras

Tiago Rogero - Colaboração Leonardo Maia, O Estado de São Paulo

26 de maio de 2013 | 07h00

RIO - O Maracanã vai passar por uma nova reforma depois da Copa de 2014. Não bastasse o R$ 1,12 bilhão de dinheiro público investido na reforma do estádio, o consórcio de Eike Batista e Odebrecht, que venceu a licitação para concessão do Maracanã pelos próximos 35 anos, quer fazer novas obras após o Mundial. Entre as mudanças, ampliação dos camarotes, implantação de um elevador no setor leste, instalação das bases para um palco atrás de um dos gols e a reforma da torre de vidro.

Por meio da Lei de Acesso à Informação, o Estado obteve as propostas técnica e econômica do consórcio Maracanã S.A., formado pela IMX de Eike, Odebrecht e a norte-americana AEG. “Atualmente, o estádio Jornalista Mário Filho - Maracanã - passa por uma grande obra para adequação às necessidades dos eventos Fifa. Para adequar suas instalações atuais à nova concepção que será instalada pela concessionária, o estádio precisará passar por novas intervenções civis”, informou o Maracanã S.A. na proposta.

Pelo cronograma apresentado na proposta, a nova reforma do Maracanã - que será custeada pelo consórcio - vai começar no segundo semestre de 2014, durar 427 dias e só terminar no 1.º trimestre de 2016, antes dos Jogos Olímpicos do Rio. Procurados, o grupo de Eike e Odebrecht não informaram se as novas obras vão resultar em fechamento total ou parcial do estádio. O consórcio optou por não responder a nenhuma das perguntas feitas pelo Estado.

“Em um lugar onde já se gastou tanto sem qualquer transparência, é um absurdo que se tenha de fazer novas reformas”, disse o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que apresentou na Assembleia um projeto para criação de uma Comissão Especial para fiscalizar a licitação do Maracanã e a execução do contrato entre governo e consórcio. “Todo o processo de reforma e concessão do Maracanã à iniciativa privada é um absurdo, desde o início. O que se gastou, a forma como se gastou e como o estádio está sendo entregue à iniciativa privada... E depois de tudo isso ainda entendem que o Maracanã precisa de nova reforma?”, indagou.

Procurado, o governo do Rio informou que “as obras citadas serão feitas no Maracanãzinho”. No entanto, as obras no Maracanãzinho são outras e, tal como as do Maracanã, estão minuciosamente citadas, uma por uma, na proposta do consórcio. As obras no ginásio estão divididas entre “antes de 2016” (como recuperação estrutural da cobertura, reforma dos banheiros e vestiários) e “após 2016” (como construção de palco para shows e instalação de novas arquibancadas retráteis).

O contrato entre consórcio e governo no Rio ainda não foi assinado. Quando anunciou o grupo de Eike e Odebrecht como o vencedor da licitação, no começo de maio, o secretário estadual de Casa Civil, Régis Fichtner, havia previsto que o contrato seria assinado antes da inauguração do “novo” Maracanã, que será daqui a uma semana, no amistoso Brasil x Inglaterra.

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