Maradona aceita ser dirigente do Boca

Depois de muitos meses de negociações, ontem à noite, o presidente do Boca Juniors, Mauricio Macri, anunciou que Maradona será, a partir de primeiro de agosto, vice-presidente da Comissão de Futebol do clube. O ex-jogador confirmou e, em entrevista a uma emissora de rádio de Buenos Aires, explicou: "Vou ficar perto dos jogadores, do técnico e do povo. Não ficarei atrás de uma mesa". Realmente, o ex-jogador terá funções executivas, segundo Macri, que explicitou as áreas de atuação de Maradona: "O trabalho dele será assessorar a diretoria sobre o plantel, o técnico, os jogadores que devemos contratar e os que devemos dispensar, além, é claro, de acompanhar a equipe do Boca nas viagens pelo mundo". Mesmo antes de assumir oficialmente a vice-presidência, Maradona já tem uma difícil missão: a escolha do novo técnico do Boca. O cargo ficou vago depois da vergonhosa eliminação da equipe argentina na Libertadores pelo Chivas de Guadalajara, nas quartas-de-final, em plena La Bombonera. Naquela noite, o então técnico Jorge Benítez, além de não conseguir sair da armadilha montada pelos mexicanos, cuspiu no rosto de Bautista, do Chivas, quando este, expulso, saía de campo. Foi demitido. Há vários candidatos ao posto, entre eles Julio Falcioni, do Banfield, Jorge Fosatti, da seleção uruguaia, e Marcelo Bielsa, ex-seleção argentina. Mas Maradona não esconde sua preferência por Alfio Basile, que o dirigiu na Copa da 94, a última que disputou. Maradona, de início, havia fechado questão quanto a Basile, mas, segundo Macri, o ex-jogador, agora, "não se fecha a outras possibilidades para o cargo de técnico". O Boca Juniors, de que agora será dirigente, sempre foi o clube do coração de Maradona. Revelado pelo Argentinos Juniors, o maior ídolo da história do futebol argentino foi campeão pelo Boca em 1981 e voltou a jogar pelo clube de 95 a 97, ano em que encerrou a carreira de jogador de futebol. Dali em diante, o ex-jogador apareceu muito, mais pelos problemas do vício da cocaína. Agora, mais magro e há algum tempo longe das drogas, Maradona já fala como um cartola, depois que o Boca, além de eliminado na Libertadores, foi mal no Campeonato Argentino: "Temos de fazer uma limpeza no plantel".

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