Maradona: as drogas estão me vencendo

"Uma pocilga! É uma pocilga!". No meio de pranto e sonoros soluços, esta foi a definição disparada pelo ex-astro do futebol argentino, Diego Armando Maradona, sobre a Clínica del Parque, onde está internado há três meses, realizando um tratamento contra a dependência das drogas. O ex-astro, durante uma entrevista ao canal 9 de TV, sustentou que queria ir embora o mais rápido possível do país. Seu desejo, explicou, é o de voltar à Cuba, onde esteve internado entre fevereiro de 2000 e março deste ano. "El Pibe de Oro" (O Garoto de Ouro), como foi conhecido em seus tempos de glória, depois de criticar a Clínica del Parque, admitiu que ela salvou sua vida, já que na época nenhuma outra aceitava o turbulento ex-jogador. "Essa clínica me ajudou, mas já não dá mais. Preciso trabalhar, encher minha cabeça de coisas úteis...preciso sentir que sou útil", murmurou Maradona. Segundo ele, o juiz Norberto García Vedia o está impedindo de sair do país, além de impossibilitá-lo de trabalhar. "Com tantas barreiras, tantos obstáculos, me sinto como um estrangeiro dentro de meu próprio país. Estou lutando contra o juiz. Tenho 43 anos e o poder de decisão sobre o que fazer de minha vida", disse o ex-astro, com um gesto exasperado. Vedia, juiz do Tribunal de Família do município de Morón, está encarregado do internamento de Maradona. Hoje, o juiz defendeu-se das acusações do ex-jogador, afirmando que ele não o impede de coisa alguma. No entanto, destacou que antes de sair da Clínica del Parque terá que ser definido um lugar "adequado" onde continuaria o tratamento. Comentando as declarações de Maradona, o juiz Vedia afirmou: "ele não tem consciência de sua doença. Os relatórios psquiátricos afirmam que ele é uma pessoa influenciável". Durante a entrevista, Maradona disse chorando que está "perdendo por nocaute" sua luta contra as drogas. O ex-jogador confessou que a primeira vez que experimentou a cocaína foi em 1982. Segundo ele, "depois que entra-se na cocaína, não se sai mais, porque o corpo pede sempre mais. Foi o maior erro de minha vida. Quem dera que eu pudesse voltar atrás. Se visse hoje o cara que me deu o primeiro papelote, eu lhe diria que vá à m...". Com angústia na voz, Maradona atacou os jornalistas, acusando-os de terem enriquecido escrevendo sobre sua doença. "Não sou o monstro que os jornalistas dizem que sou", disse com ar de indignação.

Agencia Estado,

25 Agosto 2004 | 15h38

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