Stuart Tree/ Corinthian Casuals
Stuart Tree/ Corinthian Casuals

Você sabia que há um Maradona brasileiro e que ele é irmão de Platini e Rivellino?

'Fiquei muito triste com sua morte. Esperava um dia poder conhecê-lo', lamentou Diego Maradona Petriaggi, de 32 anos, que já foi jogador

Raul Vitor, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2020 | 13h00

Meio-campo, baixinho e canhoto. Este é Diego Maradona Petriaggi, brasileiro, de 32 anos, que, além do posicionamento dentro dos gramados, altura e hemisfério predominante, compartilha o nome e sobrenome de um dos maiores jogadores de futebol da história - que morreu nesta quarta-feira vítima de uma parada cardiorrespiratória. Foi em casa, na Coreia do Sul, país onde vive há cerca de três anos, que ele recebeu a triste notícia do falecimento do argentino. 

"Como de costume, assim que acordei, peguei o telefone. Infelizmente, dentre as minhas notificações estava a notícia da morte do Diego Maradona. Não conseguia acreditar", conta Diego ao Estadão, por telefone, após acompanhar pela TV os dois últimos dias do adeus ao craque na Argentina. "Mesmo não o conhecendo pessoalmente, fiquei muito triste. Esperava um dia poder conhecê-lo."

Para o brasileiro, que contemplou com deslumbre a carreira de seu xará, a morte de Maradona é uma perda irreparável para o futebol. "Sempre o admirei como jogador. Tenho um DVD dele. Assisti a vários vídeos de suas partidas memoráveis. Foi um atleta sensacional, muito inspirador", diz.

Diego nasceu dois anos após Maradona vencer a Copa do Mundo de 1986. Na época, o argentino estava no auge de sua carreira e forma física, mas esse detalhe não foi decisivo para a escolha de seu pai. Antes mesmo de se casar, ele, que "é um grande admirador de futebol", já sabia como chamaria seus filhos: Roberto Rivellino, Michel Platini e Diego Maradona. Foi a única coisa que pediu para a mulher, que não se opôs. 

"Por onde passo, meu nome chama atenção. Foi assim na escola, no clube de futebol, no aeroporto, em todos os lugares. As pessoas, a princípio, não acreditam, pensam que é apenas um apelido, que não se passa de uma brincadeira. Muitas vezes tive de mostrar minha identidade", conta o brasileiro, que já não se incomoda mais com isso. 

Ele e seus irmãos tornaram-se jogadores profissionais, mas não tiveram o mesmo sucesso das lendas que o acompanham. Rivelino jogou na base do São Paulo, Udinese e Brescia, da Itália. O clube italiano também foi a casa de Diego e Platini. O xará de Maradona também já jogou no Corinthian Casuals, de Londres. "Nossa vida mudou bastante depois da ida para Europa. Foi uma experiência sensacional", revela o ex-jogador. 

Rivelino também não vingou. Hoje, o ex-jogador é proprietário de uma empresa de transporte executivo, em Belo Horizonte, que não carrega as referências futebolísticas da família, a Petriaggi Transportes. Já Platini, tornou-se personal trainer e instrutor de academia. Diferente de seus irmãos, ele ficou na Europa. Trabalha na Splash e SPA, em Tamaro, na Suíça.

Hoje, Diego Maradona trabalha em uma escolinha de futebol sul-coreana. Não joga mais. Seus feitos com a bola nos pés foram pequenos. Ele é treinador da equipe sub-10 e auxiliar do sub-12 do Cannon FC, time amador da cidade de Daegu, sediado na região sudeste do país. O brasileiro afirma que está estudando para se tornar técnico de um clube profissional. O trabalho na Coreia do Sul serve como base.

"Está sendo uma boa experiência. Já fiz cursos de treinador na Inglaterra e Itália. Espero ter a oportunidade de trabalhar no futebol de base de algum clube profissional em breve", conta Maradona. "Os coreanos também são apaixonados por futebol. Eles também acham interessante meu nome, só que sou brasileiro, né? Alguns acabam pensando que sou argentino". 

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