Maradona disse que viu a morte de perto

"Vi a morte de perto". A afirmação é do ex-astro do futebol argentino, Diego Armando Maradona, durante uma entrevista com uma das divas da TV argentina, Susana Giménez. "El Diez", como é conhecido, disse que foi parar no hospital, no dia 18 de abril, porque teve "de tudo". Obeso, com dupla papada, redondo como um balão, Maradona falou com longas pausas, dificuldade de articular as frases. Com voz rouca, agradeceu aos fãs que rezaram por ele nos 12 dias que esteve internado na Clínica Suíço-Argentina e disse que se esforçará para melhorar de saúde. Maradona disse que foi embora após assinar um documento para os médicos da clínica. Segundo ele, o hospital lhe deu a alta. No entanto, a clínica, na véspera, havia deixado claro que o ex-paciente não tinha a alta. Fazendo caretas, na entrevista, transmitida durante o programa da diva no canal Telefé, o ex-jogador disparou contra seus críticos. Segundo ele, houve uma reação exagerada à sua internação: "ora, me senti mal quando estava no estádio (do Boca Juniors, quando assistia um jogo)...tenho todo o direito, como todo ser humano, de passar mal". O ex-astro disse que tinha raiva daqueles que opinavam sobre ele. "Você emagreceu", disse Giménez, famosa por fazer comentários água com açúcar. Maradona, brincando, respondeu: "peso 15 gramas a menos...". A diva continuou: "você é uma das pessoas mais famosas do planeta...do planeta Terra". O ex-astro também admitiu que precisa colocar ordem em sua vida: "tenho que tomar conta de mim. Tenho um vácuo enorme causado pelo Guillermo (Coppola, seu ex-melhor amigo e ex-manager com o qual está brigado por suspeitas de desfalque. Mas essa vácuo será preenchido por minhas novas filhas, um novo amigo...". Maradona também falou de política, como sempre de forma peculiar: "quero que o presidente Néstor Kirchner seja Jesus Cristo. Há pouco tempo que ele está na política. E não mata as pessoas como os americanos fazem". Sobre sua própria vida, confessou: "quero continuar vivendo, sem f...ninguém". O ex-astro - que se declara amigo tanto do neo-liberal ex-presidente Carlos Menem quando do líder socialista cubano Fidel Castro - disse que pretende viajar muito: "quero ver como ficou o Afeganistão. Quero ver o que aconteceu no Iraque". Depois, olhou para a câmara e disse "Bush, te amo", colocando o polegar para baixo. Ao mesmo tempo que estava dando a entrevista, o pai de Maradona, "Don" Diego, de 76 anos, abalado pelos acontecimentos dos últimos dias, estava internado no hospital Sacre Couer, em Buenos Aires, onde entrou no fim da tarde com uma pneumonia. "Don" Diego sentia-se mal desde a véspera, coincidindo com a saída precipitada de seu filho da clínica. Sua esposa, "dona" Tota, mãe do ex-astro, ficou em sua casa, segundo um parente, angustiada pelo estado do marido e do filho. "Don" Diego costumava dizer que quando esperava o nascimento de seu filho Diego, "desejava que fosse como Pelé. No entanto, acabou sendo melhor ainda".

Agencia Estado,

30 de abril de 2004 | 22h02

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