Maradona encerra sua conturbada visita

A curta temporada do ex-jogador Diego Maradona no Rio, onde chegou na terça-feira para participar de um jogo beneficente promovido na quarta por Zico, terminou em confusão. O argentino foi autuado por desacato à autoridade, na manhã desta quinta, no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, após tentar embarcar à força para Buenos Aires, junto com mais quatro amigos. Dois deles também foram autuados e vão responder por crime de dano ao patrimônio, por terem arrombado duas portas na área de embarque.Após prestar declarações à Polícia Federal, o grupo foi liberado e seguiu viagem para Buenos Aires em um vôo da Aerolineas Argentinas, nofim da tarde desta quinta-feira.A confusão começou por volta das 7h30, quando Maradona e os amigos, entre eles o ex-jogador Mancuso, chegaram atrasados para o vôo JJ 8000 daTAM e não conseguiram embarcar. Segundo o delegado da Polícia Federal, Marcelo Nogueira, eles discutiram com os funcionários da empresa aérea, que pediram ajuda aos agentes de plantão da Polícia Federal para conter o grupo.Duas portas haviam sido arrombadas quando os agentes da PF alcançaram os argentinos. Um deles foi xingado por Maradona, que imediatamente recebeu voz de prisão. ?Tudo foi gravado pelocircuito interno. Pela linguagem labial, percebe-se (o uso de palavrão)?, disse o delegado Marcelo Nogueira, acrescentando que o desacato foi relatado por testemunhas. Marcelo Nogueira contou que Maradona e seus amigos fizeram o check-in uma hora antes do embarque. No entanto, teriam perdido o vôo ao sedirigirem para o terminal errado. Quando encontraram fechadas duas portas da área de embarque que dão acesso ao avião, ficaram exaltados. ?Eles achavam que não tinham cometido crime algum?, relatou o delegado, referindo-se à indignação dos argentinos quando foram abordados por agentes da Polícia Federal. Sobre o desacato, cuja pena varia de seis meses a dois anos de prisão, Marcelo Nogueira explicou que, por ser um crime de baixo potencialofensivo, foi lavrado um termo circunstanciado em substituição ao tradicional inquérito. Neste caso, as partes também são ouvidas e as provas são colhidas, mas o material é encaminhado diretamente para a Justiça Federal, onde o caso será julgado. Segundo o delegado, Maradona ?se colocou à disposição? da Justiça brasileira para prestar osesclarecimentos necessários. A pena para dano patrimonial, cometido pelos amigos do ex-jogador, identificados como Sergio Alejandro e Alejo, varia de seis meses a três anos.Marcelo Nogueira negou ter havido qualquer tipo de agressão física e não confirmou se Maradona estava alcoolizado. ?Visivelmente, não?,disse o delegado. O exame de embriaguez que poderia confirmar ou não o consumo de bebida não foi realizado. Embora tenha ido ao aeroporto, por solicitação da Polícia Federal, o diretor do Instituto Médico-Legal (IML), Roger Ancillotti, acabou sendo dispensado após aguardar por quase uma hora. ?O delegado disse que não seria mais necessário?, afirmou ele.Já Marcelo Nogueira explicou que o grupo se negou a fazer os exames. ?A partir do momento que eles se recusaram a fazer, eu liberei a perícia?, justificou o delegado. De acordo com ele, a lei brasileira impede que as pessoas produzam provas contra si próprias. ?É um direito que eles têm.?Cônsul-geral da Argentina, Jorge Augustin esteve no aeroporto e defendeu Maradona. Perguntado sobre o crime de desacato cometidopelo ex-jogador, ele disse que há ?versões diferentes? sobre o caso. Também não confirmou se o astro argentino virá ao Brasil quando convocado pela Justiça. ?Vou conversar com a Polícia Federal sobre isso?, avisou. Responsável pela visita de Maradona ao Brasil, o empresário Alan Espinosa contou que o ex-jogador foi para uma churrascaria da zona sul do Rio após o jogo de quarta-feira à noite e lá permaneceu até o fim da madrugada. Depois, passou no hotel para pegar a bagagem e seguiu para o aeroporto. O empresário também discordou da versão da polícia e das testemunhas. ?Ele estava muitotranqüilo. Ficou o tempo todo sentado e disse que não havia problema algum (por ter pedido o vôo). Faltou sensibilidade dos funcionários da TAM?, acusou Alan Espinosa.Em nota, a TAM informou que o vôo para Buenos Aires saiu no horário previsto e que, ?em nenhum momento?, os funcionários da empresa dificultaram o embarque do grupo de argentinos, impossibilitado de embarcar apenas devido aoatraso.

Agencia Estado,

22 de dezembro de 2005 | 19h09

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