Maradona: hospital vira mercado persa

Os escândalos protagonizados nas últimas duas décadas pelo ex-astro do futebol argentino, Diego Armando Maradona, sempre proporcionaram grandes vendas. Desta vez, mesmo inconsciente e conectado a um aparelho de respiração artificial, "El Diez", como é chamado popularmente, consegue ser o centro de uma verdadeira mina de ouro para a mídia, a indústria dos souvenirs e até o setor vinícola. Para conseguir US$ 6 mil oferecidos por uma revista sensacionalista - cujo nome não foi divulgado - um funcionário do setor de eletro-medicina da clínica Suíço-Argentina onde Maradona está internado, tentou realizar uma fotografia do decadente ex-jogador deitado na cama e conectado aos aparelhos da UTI. No entanto, o funcionário foi pego no flagra por um integrante da segurança e imediatamente detido. A clínica somente divulgou seu nome - Horácio - e sua idade, 26 anos. O modus operandi da fotografia foi um celular com uma câmara embutida. Rapidamente, o funcionário removeu a bateria do celular, fato que apagou as fotos feitas. Horácio tentou explicar que estava tentando fazer uma foto com o objetivo de ter uma "lembrança" de Maradona. No entanto, depois confessou. Após o escândalo, a diretoria da clínica decidiu colocar dois policiais de forma permanente na porta da sala da UTI. A tensão dentro da clínica - onde Maradona está internado desde o domingo à tarde - cresce a cada dia. Informações extra-oficiais indicam que a filha mais velha de Maradona, Giannina, de 14 anos, teria reclamado da presença de amigos de seu pai nos corredores da clínica, já que estariam bebendo cerveja. A tensão não ocorre somente dentro da clínica. Do lado de fora, mais de 200 fãs de Maradona irritam os vizinhos do bairro de Palermo, que não conseguem pegar no sono à noite por causa da gritaria dos "maradonamaníacos". Duas dezenas de integrantes da temida "La Doce" - os hooligans do Boca Juniors - cantam alto durante toda a noite. A "lírica boquense" vai desde palavras de estímulo a "El Diez" até xingamentos contra os rivais do ex-jogador e times adversários. Na pausa, eles entoam os clássicos "Maradóóó, Maradóóó!" e "Olé, olé, olé, olé, Diegooo, Diegooo...". O cenário completa-se com corridas "olímpicas" de esquina a esquina enquanto jogam papel picado. As paredes da clínica parecem um santuário dedicado à "divindade" de "El Diez". Elas estão cobertas por quase 400 fotos de Maradona e de recados desejando sua recuperação imediata. Entre os dizeres dos cartazes estão "Jesus no céu e Diego na Terra" e "Querido Diego, depois de tantas alegrias, nos concede outra". No chão, além de restos de velas, espalha-se uma grande variedade de imagens que vão desde santinhos da Madre Teresa de Calcutá até uma reprodução da "Última Ceia", de Leonardo Da Vinci. Um dos alvos dos fãs é o relatório médico diário de Maradona. Alguns "maradonamaníacos" simulam que são jornalistas para arrebatar o relatório como peculiar souvenir destas jornadas. Dezenas de torcedores vieram nos últimos dias do interior do país para rezar por seu ídolo. De quebra, camelôs vendem - especialmente à noite - camisetas de "El Diez", refrigerantes, sanduíches, transformando o lugar em um mercado persa. Um dos vizinhos da calçada da frente, um senhor aposentado que reside ali há mais de 20 anos, disse para a Agência Estado que a presença de Maradona no hospital tornou sua vida "um inferno". O homem - que preferiu não ser identificado para não sofrer represálias dos hoolingans do Boca Juniors - disse que esperava que Maradona não morresse nessa clínica: "se isso acontecer, isto aqui vai se tornar um ponto de romaria religiosa. Só falta que mudem o nome da Avenida Pueyrredón para Avenida Maradona. Seria o cúmulo". Comunicado - O comunicado oficial emitido hoje pela clínica indicou que o estado de saúde de Maradona é estável. Além disso, informou que o ex-astro do futebol continua ligado aos aparelhos de respiração artificial. O médico pessoal de Maradona, Alfredo Cahe - que não está participando do tratamento da Clínica Suíço-Argentina - declarou que o estado de seu paciente "não é grave". Segundo Cahe, o estado do ex-astro é "delicado". Diversos especialistas em medicina esportiva afirmam que o ex-astro, que pesa mais de 100 quilos, deveria reduzir seu peso em 35 quilos.

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