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Maradona morre no mesmo dia de seu amigo Fidel Castro, ex-líder de Cuba

Jogador tinha relação próxima com políticos de esquerda da América Latina; ele e Fidel perderam a vida em um 25 de novembro

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2020 | 15h38

O dia 25 de novembro ficará marcado na história pelo dia da morte de Diego Armando Maradona, um craque do futebol, e também do cubano Fidel Castro. Coincidentemente, os dois amigos perderam a vida no mesmo dia, com quatro anos de diferença - o ex-líder da ilha caribenha morreu em 25 de novembro de 2016.

A relação dos dois sempre foi próxima, a ponto de Maradona tatuar a imagem do cubano em sua panturrilha esquerda - no bíceps direito tinha tatuado o rosto de Ernesto Che Guevara. Um fato marcante na vida do jogador motivou essa adoração por Fidel Castro: foi o líder do país caribenho que estendeu a mão para ele se tratar da dependência das drogas. Fidel fez isso quando todos os condenavam. Maradona foi eternamente grato.

Em 2000, o craque foi para Cuba para encarar de frente sua dependência química. Fez amigos e se apaixonou pelo povo local e também pela ilha. "Não sou comunista, mas sou 'Fidelista' até a morte", chegou a dizer. O contato era tão próximo que certa vez, em Havana, Maradona ensinou o velho Fidel a brincar com uma bola de futebol em um dos muitos encontros que tiveram. Isso ocorreu a portas fechadas no Palácio da Revolução de Havana, em uma ilha que tem paixão pelo beisebol, O próprio Fidel gostava mais deste esporte do que do futebol.

Em sua autobiografia "Yo soy el Diego", Maradona incluiu o amigo em sua dedicatória. "A Fidel Castro e, por meio dele, a todo o povo cubano", escreveu. Os dois estiveram juntos ainda em um programa televisivo de entrevistas que Maradona teve na Argentina. O jogador sempre se mostrou a favor dos políticos notadamente de esquerda.

Maradona bradou contra o imperialismo e se aproximou ainda de Hugo Chávez, ex-presidente da Venezuela. Já teve encontros também com o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que lamentou a morte do argentino. "No campo, foi um dos maiores adversários, talvez o maior, que a seleção brasileira já enfrentou. Fora da rivalidade esportiva, foi um grande amigo do Brasil. Só posso agradecer toda sua solidariedade com as causas populares e com o povo brasileiro. Maradona jamais será esquecido", disse Lula.

 

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