Maradona pede para não ser esquecido

Um discurso emocionado de Maradona, várias vezes interrompido pelas lágrimas, marcou a festa de despedida do astro argentino dos gramados, realizada na tarde desde sábado diante de aproximadamente 55 mil pessoas no estádio La Bombonera, em Buenos Aires. Fazendo uma espécie de mea-culpa, o ex-jogador demonstrou sincero arrependimento por ter se envolvido com as drogas, e fez um alerta aos jovens. ?O futebol é o esporte mais sadio que existe. Eu me equivoquei e paguei por isso?, disse ele, que está sendo submetido a um rigoroso tratamento para se livrar da dependência química. No final, pediu à torcida que não o esqueça. ?Espero que este amor (entre ele e o torcedor), não termine nunca?. Numa demonstração de boa vontade, Pelé compareceu à despedida de Maradona, mas acabou protagonizando o único momento de constrangimento da festa. Quando chegou ao estádio, acompanhado do presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol, o paraguaio Nicolas Leoz, Pelé foi vaiado por quase todo o estádio. A torcida, especialmente a do Boca Juniors, cantava para o ?Rei?. ?Brasileiro, brasileiro, que tristeza você é; Maradona é o melhor, é maior do que Pelé?. Ainda assim, Pelé manteve a elegância e acenou para o público com os dois braços levantados. A partida em homenagem a Maradona reuniu a seleção argentina e um time de jogadores estrangeiros, como o goleiro René Higuita, os meio-campistas Francescoli e Valderrama e os atacantes Careca e Stoichkov. Os argentinos - que tinham entre outros, os craques Veron e Cláudio Lopez - venceram por 6 a 3. Maradona marcou dois gols, ambos de pênalti. Os outros gols foram marcados por Pablo Aimar (2), Claudio López e Lucas Castromán. O croata Davor Suker, francês Eric Cantona e o goleiro René Higuita marcaram para os ?Amigos de Maradona?. A festa foi marcada pela emoção. Todos os jogadores da Argentina entraram em campo vestidos com a camisa número 10 - que a Associação Argentina de Futebol (AFA) quer aposentar a partir de hoje. Maradona jogou a partida inteira e depois de marcar o seu segundo gol, tirou a camisa da seleção ficando apenas com a camisa do Boca, que trazia por baixo. Faltando 10 minutos para o final, a partida foi interrompida por cinco minutos. Fogos de artificios tomaram o estádio enquanto a torcida cantava ?Y Diego no se va.... Y Diego no se va?. Emocionado, o jogador parou no centro do gramado. Colocou as mãos nos joelhos e começou a chorar. O jogo só foi retomado depois de o ex-jogador se restabelecer da emoção. Com 41 anos, e muito acima do peso, Maradona não correu muito, mas deu vários passes que terminaram em gols ou em jogadas de perigo. Nas arquibancadas, muitas demonstrações de carinho do torcedor. Centenas de faixas faziam alusão ao craque: ``Obrigado pela magia, MaraDios´´; ``Jogador do Século´´ ou ``A festa de um gênio´´, diziam algumas delas. A equipe argentina jogou com Germán Burgos; Roberto Ayala, Mauricio Pochetino, Walter Samuel, Javier Zanetti, Juan Sorín, Matías Almeyda, Juan Verón, Diego Maradona, Cristian González e Julio Cruz. O time de convidados teve Oscar Córdoba (Colômbia), Ciro Ferrara (Itália), Jorge Bermúdez (Colômbia) Iván Córdoba (Colômbia), Gamarra (Paraguai), Solano (Perú), Riquelme (Argentina), Valderrama (Colômbia), Francescoli (Uruguai), Hristo Stoichkov (Bulgária), Davor Suker (Croácia). Também jogaram os uruguaios Fabián Carini, Alvaro Recoba e Carlos Aguilera, o brasileiro Careca, o argentino Leonardo Rodríguez, o francês Eric Cantona e o colombiano Mauricio Serna.

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