Maradona pede perdão por gol com a 'mão de deus'

Ex-jogador diz que, se pudesse voltar no tempo, mudaria o jogo contra a Inglaterra e a própria vida

Ansa

31 de janeiro de 2008 | 11h47

O ex-astro argentino do futebol Diego Armando Maradona pediu perdão pela primeira vez por seu gol que se tornou conhecido como "Mão de Deus", que marcou na partida contra a Inglaterra durante o Mundial de Futebol de 1986, e disse que se pudesse voltar no tempo "mudaria a história". Em uma entrevista exclusiva ao tablóide inglês The Sun, o ex-jogador, de 47 anos, declarou: "Se pudesse voltar no tempo e mudar a história, o faria".Maradona disse ao jornal londrino que planeja se mudar para a Grã-Bretanha, e que está muito próximo de dirigir um clube da Premier League inglesa. O Sun escreveu que o jogador, que esteve na Inglaterra durante quatro dias, "partiu o coração dos torcedores ingleses durante a partida das quartas de final (contra a Inglaterra) na Copa do Mundo do México"."Um torcedor inglês se aproximou de mim este fim de semana, me pediu um autógrafo, e me disse 'Você é uma lenda'. Isso me deixou muito contente. Seu povo é tão cortês e amável apesar da história entre nossos países", disse Maradona. "Se pudesse pedir perdão, voltar no tempo e mudar a história, o faria. Mas o gol continua sendo um gol, a Argentina se tornou campeã mundial e eu fui o melhor jogador do mundo", disse. Segundo ele, não se pode "mudar a história". "Tudo o que posso fazer é seguir em frente."O ex-jogador do Boca Juniors, do Barcelona e do Napoli visitou esta semana o jogador do Chelsea Claude Makelele e se reuniu com o presidente do clube londrino, o israelense Avram Grant. Ele também assistiu uma partida do Manchester United contra o Tottenham Hotspur no estádio de Old Trafford, e o jogo da Premier League entre Arsenal e Newcastle na terça-feira passada. Maradona nunca atuou como jogador ou técnico na Inglaterra, mas revelou ao Sun que manteve reuniões "informais" para debater as possibilidades de se tornar técnico na Inglaterra. "Estou em busca de novas oportunidades, algo como encontrar um novo trabalho, um cargo, e é certo que planejo passar mais tempo na Inglaterra", disse."Não participei de reuniões formais e não vim esta semana (à Inglaterra) para tirar o posto de nenhum técnico da Premier League. Quero ver o máximo de partidas que puder nos próximos meses. É verdade que mantive conversas informais com várias pessoas sobre oportunidades na Inglaterra, mas até agora não tenho um contrato diante de mim, não posso dizer mais nada", continuou.Maradona disse ainda que ficou supreso com a queda da Inglaterra, que não se classificou para a Liga dos Campeões. "Hoje, há alguns jogadores ingleses que são as estrelas de seus clubes, mas não da seleção nacional. É difícil de explicar", disse. "Inclusive durante o Mundial de Futebol vi problemas para a Inglaterra. É um problema de mentalidade."Segundo Maradona, o novo técnico da seleção inglesa, o italiano Fabio Capello, "deve trabalhar no plano mental, e depois nas táticas". "Mas o nível de técnica está bom. Para mim, John Terry deveria ser o capitão, Robinson no gol e Aaron Lennon deve jogar. Gosto muito de seu estilo", disse. Para o ex-astro argentino, "sob a direção de Steve McClaren haveria problemas". "Ele não era um técnico capaz em nível de seleção." Maradona criticou duramente Beckham, e o inglês Ashley Cole, envolvido esta semana em uma polêmica por um suposto romance extra-conjugal. "Beckham é um bom tipo e estou certo de que chegará a jogar as 100 partidas para a Inglaterra. Mas ele é só um bom jogador, nada mais", disse ao Sun. Para Maradona, "Beckham não é um grande jogador e não pertenece ao grupo dos jogadores superiores". Sobre Cole, disse que deve demonstrar que pode de esquercer das mulheres "e se concentrar no futebol". O ex-jogador argentino falou também sobre seus problemas com as drogas e disse que suas filhas salvaram sua vida. "Me dei conta de que havia perdido muito tempo que poderia passar com elas, devido às drogas, e agora quero desfrutar os anos que me restam com minhas filhas", disse. Ele admitiu também que, com as drogas, perdeu muito de seu talento. "Se nunca tivesse tocado na cocaína, teria sido um jogador três vezes melhor. Não teria sequer existido o debate sobre quem foi o melhor jogador do mundo, eu ou Pelé. Todos teriam dito que fui eu", disse Maradona.O ex-jogador disse ainda que tentou suicídio em várias ocasiões, mas "em seguida pensei no que deixaria para trás". "Foram os olhos das minhas filhas que me salvaram e essa é a razão pela qual estou aqui hoje", concluiu.

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