Maradona tenta quebrar móveis da UTI

Tendo como fundo os gritos do ex-astro do futebol argentino, Diego Armando Maradona, a família do turbulento "El Diez" e os médicos da clínica Suíça-Argentina analisavam com nervosismo nesta quinta-feira à noite seu traslado para outra clínica, onde realizaria um rigoroso tratamento contra a dependência das drogas. Entre as opções que estavam sendo analisadas estava a internação em uma clínica na província de Buenos Aires, a volta a Cuba - onde ele realizou durante quatro anos um controvertido tratamento - ou a ida à Inglaterra ou Canadá. Estas duas últimas alternativas apresentavam-se como as mais fortes. A decisão de remover Maradona da Suíço-Argentina foi tomada às pressas depois que no fim da tarde o ex-astro acordou de mau-humor e começou a tentar despedaçar os móveis da UTI, no quarto andar. Os gritos de Maradona exigindo ir embora dali eram ouvidos até na calçada da clínica, onde estavam aglomerados os estupefatos jornalistas. A segurança do hospital não sabia como conter o colérico ex-jogador. Maradona exigia ir a Cuba ou voltar à chácara de um empresário amigo a 50 quilômetros de Buenos Aires, onde esteve entre 29 de abril e terça-feira vivendo dias de agito e descontrolada comilança. Não era a primeira vez que isso acontece. Maradona havia dado sinais de sua impaciência exatamente uma semana antes, quando esteve na clínica pela primeira vez. Na ocasião, Maradona jogou a comida do hospital no chão e conseguiu uma bola com a qual jogou uma "mini-pelada" na UTI, para desespero da diretoria do estabelecimento. Depois de muita insistência, os médicos concordaram com a saída de Maradona, embora não terem lhe dado a alta. Naquela quinta-feira, ele deixou a clínica e partiu para a chácara de um empresário amigo na província de Buenos Aires. Após a partida, houve um suspiro de alívio na Suíço-Argentina. Maradona começou cinco dias de descontrole, comendo tudo o que encontrava na geladeira - e fora dela - que lhe causou o que os médicos oficialmente denominaram de "transgressão alimentícia". Na madrugada da quarta-feira desta semana, Maradona começou a sentir-se mal. Seu médico ligou para várias clínicas. No entanto, nenhuma queria albergar um paciente tão problemático como ele. Finalmente, a Suíço-Argentina o aceitou, embora sem entusiasmo. Mas, com Maradona sentindo-se "um leão enjaulado", a internação durou menos de dois dias.

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