Maradona vai para clínica de recuperação

Durante quatro dias, o ex-jogador do futebol argentino, Diego Armando Maradona, foi o paciente mais indesejável do país. De quinta-feira até ontem (domingo), o polêmico "El Diez" foi recusadopela maioria das clínicas de tratamento contra a dependência das drogasdentro da Argentina. Finalmente, a Clínica del Parque, no município deItuzaingó, na zona oeste da Grande Buenos Aires, aceitou encarregar-sedo tratamento do ex-jogador, um consumidor de drogas nos últimos 15anos.Um comunicado oficial da Clínica Suíço-Argentina onde estavainternado, informou neste domingo à tarde que os médicos haviam dado a alta a Maradona, e confirmavam a transferência para outra clínica. ASuíço-Argentina não é especializada em tratamento contra as drogas. Desta forma, ficaram descartados os planos de levar Maradona para umtratamento no exterior. As opções analisadas pela família eram oCanadá, Inglaterra e a ilha caribenha de Antigua. O problema destesdestinos no exterior era a longa distância que o ex-jogador teria querealizar, fato que poderia complicar sua abalada saúde.Encontrar um lugar para Maradona não foi fácil. O ex-jogador já haviademonstrado que era um paciente complicado desde sua primeirainternação na Suíço-Argentina, no dia 18 de abril. Depois de oito dias inconsciente, Maradona acordou e começou ainfernizar a vida dos médicos: derrubou pratos de comida da dieta nochão e pediu um churrasco. Depois, pediu uma bola, com a qual jogou umamini-pelada com o veterano jogador Ricardo Bochini na sala da UTI. Paracompletar, dias depois, deixou a clínica precipitadamente, sem ter aalta dos médicos.Maradona foi à chácara de um amigo empresário, onde viveu cinco diasde loucura. Jogou golfe durante longas horas, jogou-se na água geladada piscina, e de quebra, devorou tudo o que havia dentro e fora dageladeira como se fosse "a última ceia". Afetado pela síndrome deabstinência das drogas, empaturrou-se de croissants e foi pararnovamente na Suíço-Argentina com um quadro de "trangressãoalimentícia". Ou seja, uma "overdose" de comida.A calma foi breve. Na quinta-feira, quando novamente acordou, furiosoe aos gritos, teria agredido sua ex-esposa e o irmão. Depois de tertentado quebrar os móveis da UTI, sem sucesso, saiu no corredor daclínica, onde - no meio de um delírio - tentou deter "táxis" queimaginava que passavam sem se deter.A situação da Suíço-Argentina era insustentável. Maradona estavaespantando novos pacientes, irritando com os gritos os que já estavaminternados. Como se fosse pouco, um enxame de jornalistas se aglomeravanas portas da clínica, impedindo seu funcionamento normal.

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