Maradona volta a respirar por aparelhos

As nuvens cinzas que hoje à tarde pairavam sobre a capital argentina davam o tom de tristeza que voltou a tomar conta de novo das centenas de fãs do ex-astro do futebol argentino, Diego Armando Maradona. Hoje, no início da tarde, eles ouviram o comunicado médico oficial da Clínica Suíço-Argentina, onde está internado o ex-jogador, que informou que Maradona teve que ser novamente reconectado ao aparelho de respiração artificial. Na véspera, os fãs haviam se alegrado com a notícia de que os médicos haviam retirado os tubos do aparelho, e que seu ídolo estava apenas com uma máscara de oxigênio. O comunicado deste sábado indicou que a recolocação dos tubos não implica em um agravamento de seu estado de saúde. No entanto, também deixou claro que a evolução de Maradona é "lenta" e que "dará trabalho". Desta forma, foram por água abaixo as apressadas especulações que de manhã cedo indicavam que "El Diez" poderia sair da UTI nesta segunda-feira. As orações na calçada da clínica voltaram a ser mais intensas. Os fãs recorreram à Virgem de Luján (a padroeira da Argentina), e aos dois principais santos milagreiros "extra-oficiais" do país: o "gauchito Gil" e a "Defunta Correa". Marcha - Na sexta-feira a torcida do Boca Juniors, time do coração de Maradona, anunciou que realizaria uma manifestação de apoio a "El Diez". A intenção, era que milhares de "boquenses" marchassem pela Avenida Pueyrredón, onde está a clínica Suíço-Argentina - que já virou santuário para os "maradonamaníacos" - ao longo da qual cantariam versos de estímulo ao ex-jogador. A manifestação teria o nome de "bandeiraço", já que seus integrantes pretendiam ostentar bandeiras com as cores do Boca Juniors. No entanto, as filhas adolescentes de Maradona, Dalma e Gianinna, pediram a suspensão da marcha, já que seu pai e os outros pacientes da clínica precisavam de silêncio para descansar. As filhas, em um comunicado, declararam que os verdadeiros fanáticos de seu pai colaborariam e fariam que outros se calassem para que a tumultuada esquina da Avenida Pueyrredón e Santa Fé recupere o silêncio que não tem há uma semana. Hoje, depois das pressões de Dalma e Gianinna, confirmou-se a suspensão do "bandeiraço".

Agencia Estado,

24 de abril de 2004 | 15h15

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.