Marca Pelé não pertence mais a Pelé

A marca Pelé não pertence mais a Edson Arantes do Nascimento. Nesta sexta-feira, em Curitiba (PR), ele anunciou tê-la cedido para a recém-criada Prime Licenciamentos e Participações, numa espécie de franquia em que receberá royalties variáveis conforme o faturamento. "Conosco não era uma firma profissional, mas uma firma de família", justificou. "A família é amadora para isso, trabalha muito com o coração." Segundo o proprietário da Prime, Marco Antonio Parizotto, o primeiro contrato foi fechado com a empresa de materiais esportivos alemã Puma para uma coleção de artigos esportivos à moda 1970. A expectativa é que estejam prontos para o 65.º aniversário do Rei em 23 de outubro. Nos planos também estão aparelhos celulares, televisores e tudo o mais que aparecer, excluindo-se bebidas alcoólicas, cigarros, artigos religiosos e outros especificados em contrato.A colocação da marca no Instituto Pelé Pequeno Príncipe - Pesquisa em Saúde da Criança e do Adolescente, entidade filantrópica ligada ao Hospital Pequeno Príncipe -, apresentado nesta sexta, também faz parte do projeto, mas, nesse caso, foi uma opção pessoal. "A marca Pelé é uma coisa, o testemunho do Pelé é outra. E estou aqui", acentuou. O objetivo da instituição é desenvolver pesquisas em todas as especialidades pediátricas, sobretudo em doenças complexas que hoje têm limitação de diagnóstico ou tratamento.Segundo o ex-jogador, médicos do Pequeno Príncipe apresentaram-lhe o projeto e ele engajou-se imediatamente. "Nesses anos de carreira nunca decepcionei o Brasil nem dentro nem fora de campo, e me orgulho disso porque sou brasileiro", disse. "Tenho certeza de que será mais um projeto de orgulho para o Brasil." Ele acentuou que é o primeiro projeto efetivo em prol de crianças de que participa. "Ainda é pouco, mas vamos dar o pontapé inicial". Pelé acredita que o uso de seu nome ajudará a arrecadar fundos para o funcionamento da instituição. "A marca Pelé vale muito dinheiro nesse sentido", assegurou. O projeto prevê a construção, em cinco anos, de um prédio de 12 mil metros quadrados para o Instituto Pelé Pequeno Príncipe, a um custo aproximado de US$ 20 milhões. "Espero que todos os brasileiros se engajem porque se trata de vida", convocou. "Só jogo em time vencedor e Deus me colocou em mais um time vencedor". Por enquanto, o instituto funcionará em uma casa alugada.Pelé voltou a fazer um apelo para que o governo federal invista mais nas crianças. "Sei que estou pedindo em momento complicado para o governo, mas a gente tem que acreditar como brasileiro", salientou. Segundo ele, em todas as entrevistas pelo mundo afora as perguntas sobre corrupção no governo e sobre política são recorrentes. "É triste não ter saída para uma coisa dessas", lamentou. "Vamos dar educação que aí a gente sai dessa." Por isso, uma das exigências dele à Prime é a criação da Fundação Pelé, que terá como prioridade ações voltadas para criança, adolescente e meio ambiente. Parte do faturamento com a marca Pelé será destinada a ela. "Vamos usar a imagem e a credibilidade do Pelé para levantar recursos", disse Parizotto.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.