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Antero Greco
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Marcando passo

São Paulo parou no tempo e vê rivais Corinthians e Palmeiras à frente em campo e também nas notícias

O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2018 | 04h00

Durante muito tempo, nos anos 90 e já neste milênio, a seção de Esportes do Estadão e o colunista (também editor do caderno) diversas vezes foram classificados como tricolores. Leitores indignados enviavam cartas, depois e-mails, com reclamações para o “espaço excessivo” concedido ao São Paulo. A parcialidade, na visão dos desgostosos, era evidente e os jornalistas agiam como torcedores.

Na medida do possível, a resposta paciente tinha sempre o mesmo teor: o jornal mantinha equidistância profissional e contava apenas fatos. As notícias eram indesmentíveis: o Morumbi vivia em festa por conquistas de taças de todo tamanho e importância – de Paulista a Brasileiro, de Libertadores a Mundial de Clubes. Não tinha por que brigar com o óbvio.

O São Paulo ainda continua a ganhar manchetes, sem dúvida, pela importância de ser um dos maiores times do mundo. Mas, na última década, elas são mais negativas do que laudatórias. Retratam decepções que se amontoam umas sobre as outras, sejam dos bastidores políticos, sejam principalmente das que ocorrem dentro de campo.

A culpa não é do repórter, do redator ou do cronista, e sim dos protagonistas da história do clube. E eles não têm se ajudado. Depois do tricampeonato nacional de 2006/07/08, só houve volta olímpica – e tímida – para a final da Sul-Americana de 2012. Fora isso, uma vastidão de eliminações. Retrospecto paupérrimo para quem era linha de frente e virou mero coadjuvante. 

Vira e mexe, gasto tutano e espaço para voltar ao tema e abordar componente crucial que ajudou a desembocar nesses dez anos perdidos: o São Paulo parou no tempo em sua política interna. Se antes era modelo de administração e de rodízio no poder, saiu do prumo ao permitir mudanças nos estatutos e seguidas reeleições do saudoso Juvenal Juvêncio nos anos 2000. 

O cartola perspicaz e ágil perdeu-se no personagem irônico, de boas tiradas, porém de efeito nulo. Ao vender a ideia de que se tratava de agremiação “diferente”, marcou passo e não se deu conta de que os rivais o superavam. Corinthians e Palmeiras ultrapassaram o Tricolor, em receitas, estádios, elencos, estrutura. Colhem o retorno na forma de títulos e de maior exposição.

A folhinha aponta ainda abril e ao São Paulo só restam duas alternativas para não fechar 2018 na secura – a Copa Sul-Americana e o Campeonato Brasileiro. Na primeira, se passar pelo Rosario Central, deverá em seguida topar com adversários mais fortes. Na Série A, a não ser que mostre reação sensacional, lutará por desempenho digno.

Pouco, muito pouco.

A desclassificação da Copa do Brasil, no meio da semana, foi outra consequência dos solavancos no planejamento. A eliminação para o Atlético-PR não deve ser imputada a Diego Aguirre, chegado recentemente. O técnico atual desembarcou com a bola a rolar, para substituir Dorival Júnior, que não era do agrado do comando do futebol. Se era assim, por que não se buscou a mudança nas férias?

Agora há também a perspectiva de saída de Diego Souza, atleta rodado (eufemismo para veterano), que custou 10 milhões de reais e pelo visto não emplacará maio. Foi uma aposta furada. Mesmo que fique, só o fato de se cogitar troca com o Vasco demonstra como anda em baixa. Quem deu aval para o negócio? Deve ser cobrado o executivo responsável. E por que investir soma considerável num jogador bom e instável?

Enquanto isso, o torcedor rói as unhas e fica tem saudade da era em que não passava ano sem comemorar.

TENSÃO NO AR?

Por falar em expectativa, que Palmeiras vai apresentar-se logo mais diante do Inter? Há impaciência dos palestrinos, ressabiados com o futebol insosso da equipe nas últimas partidas. Olho!

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